Os contratos futuros de trigo negociados em Chicago alcançaram o maior nível em três anos e meio, após uma alta de 40% desde as mínimas de junho. O movimento ocorre enquanto importadores precisam recompor estoques nas próximas semanas e enfrentam dificuldades para receber cargas da região do Mar Negro, afetada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Ataques contra embarcações e infraestruturas portuárias praticamente interromperam o transporte de mercadorias desde julho. Ásia, Oriente Médio e África estão entre as regiões que dependem do cereal produzido no Mar Negro e têm encontrado obstáculos para assegurar o abastecimento.
Disputa por outras fontes
Com a redução dos estoques locais, especialmente na Ásia, a competição por carregamentos tende a crescer. Os preços físicos cobrados por exportadores alternativos também dispararam, o que ameaça gerar uma nova onda de inflação de alimentos para consumidores mais vulneráveis.
Nos últimos meses, importadores adiaram compras de outras origens na expectativa de um acordo entre Rússia e Ucrânia que permitisse retomar os embarques de grãos. A espera, porém, aumentou a pressão sobre a oferta disponível fora do Mar Negro.
A disputa por cargas deve se intensificar até o fim do ano, quando começa a colheita no Hemisfério Sul. Até esse período, os preços devem continuar subindo. Um especialista afirmou que a dificuldade para retirar grãos do Mar Negro leva compradores a procurar fontes alternativas, com potencial para pressionar ainda mais as cotações.


