BRASÍLIA — O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que fará uma “faxina” no Itamaraty caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), seja eleito presidente da República. Cotado para exercer influência ou comandar o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo, ele disse ter feito um mapeamento de embaixadores e diplomatas brasileiros.
A declaração foi publicada nas redes sociais nesta quarta-feira, dia 30. Eduardo afirmou que a medida teria como objetivo evitar resistência de servidores às políticas de Flávio. “O Itamaraty precisa de uma faxina urgente e nós vamos fazê-la”, escreveu.
Críticas a diplomatas
Em vídeo, o ex-deputado disse que identificou movimentações de diplomatas entre postos e mencionou servidores que, durante a transição de governo, teriam recebido prazo curto para deixar determinados países. Ele também afirmou que houve sabotagem no governo de seu pai e associou o episódio a relatos posteriores de diplomatas.
Eduardo reagiu a informações sobre o ex-embaixador do Brasil em Madri, Orlando Leite Ribeiro. Em 2025, Ribeiro teria prestado apoio e trocado informações para auxiliar a mudança e a instalação na Espanha de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de Renata de Abreu Moreira.
Mensagens recuperadas no celular da lobista Roberta Luchsinger registraram ajuda na escolha de bairro, na busca por escolas e o envolvimento de uma funcionária da embaixada. Eduardo afirmou que servidores receberam e atenderam pedidos de Lulinha na Espanha. “Eu vou estar na tua cola”, disse, dirigindo-se a servidores que, na avaliação dele, tenham ajudado a sabotar o governo Bolsonaro.
Ribeiro atualmente é embaixador em Praga, na República Tcheca. Em Madri, a chefia da missão está com o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo. Eduardo afirmou que Ribeiro seria um dos primeiros a deixar o posto se Flávio fosse eleito.
Influência sobre a política externa
Cassado pela Câmara e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos. Ele participa de eventos ligados ao bolsonarismo e mantém interlocução com o governo Donald Trump. Também liderou uma campanha por punições a autoridades brasileiras, com defesa de tarifa, cassação de vistos e sanções financeiras.
Nomes ligados a Flávio vêm pressionando o Ministério das Relações Exteriores. Entre os colaboradores na elaboração das propostas de governo estão Roberto Azevêdo, Marcos Troyjo e Marcos Degaut. Parte dos aliados passou a defender Teresa Cristina para o comando da pasta.
Em maio, após uma visita de Flávio e Eduardo a Donald Trump em Washington, Flávio criticou a embaixada brasileira por não ter atendido a um pedido de apoio do gabinete do senador. Paulo Figueiredo também acusou a representação de atuar como órgão de partido.
Dentro da diplomacia, há temor de que Flávio adote uma fórmula semelhante à conduzida por Marco Rubio e Donald Trump no Departamento de Estado, com afastamento de servidores considerados não confiáveis. Uma reforma desse tipo exigiria projeto de lei para alterar a Lei do Serviço Exterior Brasileiro e permitir mudanças nos principais postos de gestão da Secretaria de Estado.



