Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF mira suspeitas sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse

Operação Make Up investiga possível desvio de recursos públicos e cumpre 49 mandados de busca e apreensão.

PF faz operação para investigar suposto desvio de emendas para filme 'Dark Horse'
Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (10) a operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares para entidades ligadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem ordens de prisão.

Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua como roteirista e produtor-executivo da produção. Também são alvo de buscas duas entidades de propriedade de Karina: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A empresa Go Up, produtora do filme, não está entre os alvos dos mandados.

A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O inquérito começou em São Paulo e foi transferido para o STF. Segundo a PF, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram prestados.

A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. As apurações também investigam possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Uma auditoria da CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, com gastos não comprovados.

Outras apurações sobre o filme

Há ainda um inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça. O procedimento examina repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), e o caminho percorrido pelo dinheiro.

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é dono da Entre Investimentos, empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses para o filme. Na colaboração, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Freixo afirmou que fez sete repasses para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro no país.

As transferências, realizadas de janeiro a setembro de 2025, somaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. A PF apura se todo o dinheiro foi usado no filme, como afirmam Flávio Bolsonaro e a Go Up, ou se parte teve outros destinos.

Contrato em São Paulo

O Instituto Conhecer Brasil também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil por causa de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi gratuitos na periferia. O acordo previa 5 mil pontos até junho de 2025, mas 3.200 haviam sido instalados até a data indicada. Ao menos três aditivos alteraram o prazo de conclusão, e o Ministério Público apura se houve concorrência na contratação.

Os citados na operação foram procurados, mas ainda não haviam se pronunciado.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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