A Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar suspeitas de tráfico de influência em tribunais superiores. O deputado federal Cezinha de Madureira, do PL-SP, passou a ocupar o centro das investigações por sua atuação política junto a lideranças religiosas e integrantes do Congresso Nacional.
Ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, o parlamentar comandou a Frente Parlamentar Evangélica durante a gestão de Jair Bolsonaro. Nesse período, participou da articulação para viabilizar a aprovação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal, mobilizando integrantes da cúpula do Senado para avançar com a sabatina.
A relação com o ministro também apareceu nos desdobramentos do caso Master. Cezinha intermediou uma reunião na capital paulista entre André Mendonça e o empresário Daniel Vorcaro. O encontro foi confirmado posteriormente pelo próprio relator do processo no Supremo.
Trajetória política
A carreira eleitoral do deputado teve o apoio institucional do bispo Samuel Ferreira. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele passou pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Depois, conquistou dois mandatos como deputado federal.
Após permanecer filiado ao PSD por anos, Cezinha migrou para o PL, em um movimento de aproximação com o grupo político do ex-presidente. A mudança, porém, foi acompanhada por conflitos internos nas articulações de candidaturas em São Paulo.
Um acordo para incluir um nome ligado à igreja na chapa ao Senado paulista foi desfeito após a indicação de André do Prado, apoiado por Valdemar Costa Neto. A decisão provocou insatisfação entre lideranças pentecostais e diminuiu a participação de Cezinha na pré-campanha de Flávio Bolsonaro.



