Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Herbário de Santa Catarina identifica seis espécies de plantas sem registro científico

Revisão taxonômica ampliou de três para nove o número de espécies reconhecidas do gênero Thaumatocaryon.

Herbário de Santa Catarina identifica seis espécies de plantas sem registro científico
Foto: Dales Hoeckesfeld/DINO

Uma pesquisa conduzida a partir de exemplares do Herbário Barbosa Rodrigues (HBR), em Itajaí (SC), identificou seis espécies de plantas que ainda não eram reconhecidas oficialmente pela ciência. O estudo ampliou de três para nove o número de espécies conhecidas do gênero Thaumatocaryon, da família Boraginaceae.

O trabalho foi liderado pelo biólogo Luís Adriano Funez, curador do HBR, vinculado à Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A pesquisa foi publicada no periódico Phytotaxa, em um artigo intitulado A taxonomic revision of Thaumatocaryon (Boraginaceae) reveals hidden diversity in southern South America.

“Até então, acreditava-se que este gênero de plantas possuía três espécies. A partir do estudo, ficou constatado que, na realidade, são nove espécies diferentes, sendo cinco delas completamente inéditas e uma que foi restabelecida”, afirmou Funez.

Exemplar coletado em 1962

A investigação começou com a análise de um exemplar de Thaumatocaryon parviflorum. O único registro conhecido pela ciência até então estava no acervo do HBR. A amostra foi coletada em 1962, em Santa Cecília, município do planalto serrano de Santa Catarina.

Segundo Funez, as características das flores não correspondiam às espécies já descritas. A partir dessa constatação, ele passou a examinar outros exemplares do gênero, cuja ocorrência se estende por quatro estados do Brasil, além da Argentina e do Paraguai.

Participaram do estudo Rafael Trevisan, do Herbário Flor/UFSC; André Luís de Gasper, do Herbário Dr. Roberto Miguel Klein/FURB; o biólogo Douglas Meyer; e o botânico amador Paulo Schwirkowski. O grupo analisou materiais de diferentes herbários, incluindo exemplares digitalizados e imagens enviadas por pesquisadores da Argentina. A pesquisa não recebeu financiamento.

Foram identificadas as espécies T. hispidissimum, T. macrophyllum, T. parviflorum, T. moritziiflorum e T. quiririense. Já T. hilarii foi revalidada a partir de imagens de uma amostra localizada em Paris. O artigo descreve as características morfológicas e a distribuição geográfica de cada espécie.

Possível risco de extinção

Entre as seis espécies reconhecidas no estudo, três são conhecidas apenas por exemplares antigos de herbários, coletados há várias décadas. Funez suspeita que alterações provocadas por seres humanos nos habitats naturais possam ter levado essas plantas à extinção completa.

A revisão também modificou a avaliação sobre a distribuição dessas espécies. Antes, as plantas conhecidas do gênero não eram classificadas sob risco de extinção. Com a separação em espécies distintas, cada uma passou a ser associada a uma área geográfica específica, o que pode alterar a análise de conservação.

As plantas estudadas têm pequeno porte e vivem em campos naturais de áreas elevadas. De acordo com Funez, esses ambientes são antigos, milhões de anos mais antigos que a floresta mais antiga de Santa Catarina, e são sensíveis a intervenções humanas. A vegetação também participa da formação de mananciais que abastecem grandes cidades da região.

O biólogo afirma que o conhecimento sobre essas espécies pode ajudar na avaliação de seu potencial medicinal. Plantas da família Boraginaceae são usadas na medicina e têm compostos bioativos conhecidos, mas as espécies brasileiras do gênero Thaumatocaryon ainda não foram prospectadas para esse fim.

Para Funez, o resultado evidencia a importância dos herbários na preservação do conhecimento sobre a biodiversidade. Exemplares depositados décadas atrás permitiram reconhecer espécies que poderiam ter desaparecido sem deixar registros de sua existência.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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