A dívida pública brasileira é pressionada pelo crescimento acelerado dos últimos anos e pelo custo maior de financiamento em comparação com países ricos. O problema, porém, não é exclusivo do Brasil: o endividamento avançou entre as principais economias e passou a preocupar instituições internacionais.
Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Instituto de Finanças Internacionais (IIF) fizeram alertas sobre a trajetória das dívidas. Somados, os débitos de todos os países chegam a US$ 365 trilhões, o equivalente a 310% do PIB mundial.
Gastos, juros e déficits
A alta começou principalmente com a expansão dos gastos públicos entre 2020 e 2022, período em que os governos buscaram reduzir os efeitos da pandemia. O volume das dívidas recuou depois, mas voltou a subir recentemente. A dificuldade está em interromper o aumento das despesas e reduzi-las após a elevação dos gastos.
Estados Unidos, Japão, Reino Unido e França convivem com déficits orçamentários elevados e com o crescimento do endividamento. Os juros altos usados no combate à inflação também aumentam o custo do serviço da dívida. Entre os fatores mencionados estão a alta do preço do petróleo associada à guerra de EUA e Israel contra o Irã e o aumento das despesas fiscais.
Nos Estados Unidos, a dívida é de US$ 40 trilhões, o equivalente a 129% do PIB do país. Na semana passada, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou uma nova recompra de títulos de 30 anos para tentar conter a alta da taxa desses papéis, que está acima de 5%.
As taxas dos títulos de 30 anos atingiram um patamar que não era visto desde 2007. Além disso, esses papéis de seis dos sete países do G-7 estão nos maiores níveis em 15 anos. O movimento indica o grau de apreensão presente no mercado.
A dívida pública do Brasil equivale a 82,5% do PIB. Embora vários países, inclusive economias ricas, apresentem uma proporção superior, esse dado não coloca o país em situação mais favorável. Para uma economia emergente, o nível é considerado alto, e o custo do endividamento tende a ser maior.



