NOVA YORK — A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou que Donald Trump demonstrou preocupação com a desvalorização do iene durante uma reunião com a primeira-ministra Sanae Takaichi. O relato foi divulgado nesta sexta-feira, após consulta ao Gabinete da premiê, e detalhou uma conversa que normalmente seria mantida em sigilo pelos governos.
Takaichi confirmou posteriormente que o tema cambial foi tratado no encontro realizado em Nova York na terça-feira, à margem da Assembleia Geral da ONU. A primeira-ministra disse que representantes dos Estados Unidos relacionaram a fraqueza do iene a dificuldades para o comércio do país.
“A delegação dos EUA afirmou que o iene fraco estava criando dificuldades para o comércio deles”, declarou Takaichi. Ela acrescentou que, como princípio geral, considera problemática uma moeda japonesa subvalorizada.
Apesar da discussão sobre o câmbio, a premiê afirmou que não houve debate sobre política monetária ou fiscal. De acordo com Takaichi, a orientação da política econômica de seu governo não foi alterada.
Coordenação entre os governos
Katayama disse que a conversa reafirmou a posição compartilhada por Japão e Estados Unidos que sustentou a intervenção coordenada de 31 de julho. A medida incluía o compromisso de combater a volatilidade excessiva e movimentos desordenados do iene.
“Continuaremos a nos comunicar estreitamente sobre uma série de assuntos, incluindo o câmbio”, afirmou Katayama, ao mencionar a relação com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Antes da reunião, Takaichi também havia relatado que discutira com Trump a China. O assunto foi tratado antes de uma cúpula planejada entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping.
O dólar tem ganhado valor diante do iene e de outras moedas importantes. O movimento é associado, no texto, a dados econômicos sólidos dos Estados Unidos, à postura hawkish do Federal Reserve e à elevação dos rendimentos dos títulos americanos.



