RIO DE JANEIRO — Os pagamentos classificados como penduricalhos foram um dos principais fatores para o aumento das despesas do Tribunal de Justiça do Rio sob a presidência de Ricardo Couto. Em 2025, os gastos do TJ cresceram 15%, uma alta de mais de um bilhão de reais. No mesmo período, os penduricalhos avançaram 70%.
Em 2026, as despesas do tribunal continuaram em alta, com crescimento de quase 20% no acumulado até maio. Depois das restrições estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal, o TJ do Rio liderou os pagamentos desse tipo: foram desembolsados mais de R$ 100 milhões em maio e junho.
Diferença entre os cortes
Ricardo Couto assumiu a presidência do Tribunal de Justiça no início de 2025 e também aparece associado a medidas de redução de despesas no governo do Rio. No Executivo, houve corte de cargos comissionados, com economia estimada em cerca de R$ 200 milhões no ano.
Esse valor é apresentado como uma fração do aumento registrado no Judiciário. Outros cortes mencionados incluem o bloqueio do Fundo Soberano e o cancelamento de despesas de um programa plurianual de câmeras. A avaliação é que essas medidas não alteram o peso das despesas obrigatórias e recorrentes.
O déficit previdenciário do Estado é de cerca de R$ 20 bilhões por ano. Já o déficit atuarial é dez vezes maior, equivalente a mil vezes o corte nos cargos comissionados.
Folha do Judiciário
No Rio, o Judiciário gasta mais com folha de pagamento do que a Educação, embora a área educacional tenha cinco vezes mais funcionários. A comparação foi apresentada por Ricardo Berezin, mestre em administração pela UFRJ. O Tribunal de Justiça recebeu o Selo Prata do CNJ.
Os penduricalhos também são apontados como despesas que escapam dos limites de gasto e não sofrem cobrança de Imposto de Renda, por serem classificados como indenizações. A discussão ocorre enquanto Luiz Inácio Lula da Silva defende a inclusão do pobre no Orçamento e do rico no Imposto de Renda. O desempenho de Ricardo Couto no tribunal é citado como argumento contra uma eventual indicação dele ao STF.



