Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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A parceria de Trump com empresário investigado para explorar o petróleo venezuelano

Alejandro Betancourt poderá operar 17 campos por 100 anos em acordo que amplia a influência dos Estados Unidos sobre a Venezuela.

A parceria de Trump com empresário investigado para explorar o petróleo venezuelano
Foto: Derwick Associates/NYT

O governo de Donald Trump firmou uma parceria com o empresário venezuelano Alejandro Betancourt para explorar petróleo na Venezuela, em um acordo que prevê concessões de 100 anos e pode envolver participação do Pentágono na empresa do empresário. A iniciativa busca aumentar a produção venezuelana, reduzir os preços da gasolina nos Estados Unidos e recompor as reservas estratégicas americanas.

A empresa de Betancourt, a North American Blue Energy Partners (NABEP), recebeu direitos exclusivos para operar 17 campos de petróleo. As reservas estimadas dessas áreas chegam a 65 bilhões de barris, volume próximo ao total das reservas comprovadas dos Estados Unidos. Betancourt não é proprietário dos campos, mas controla os direitos de exploração.

O acordo ocorre enquanto o empresário é alvo de investigações por lavagem de dinheiro na Espanha e na Suíça. Ele vive no Reino Unido, onde foi preso há menos de um ano depois de pedidos de extradição feitos pelos dois países. As autoridades britânicas haviam proibido Betancourt de viajar para o exterior.

Autoridades do Departamento de Estado e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos procuraram seus colegas suíços para evitar o avanço do pedido de extradição, segundo pessoas familiarizadas com o caso. Também solicitaram ao governo britânico a flexibilização das restrições de viagem, permitindo que Betancourt viajasse à Venezuela e aos Estados Unidos para reuniões com integrantes do governo Trump.

O secretário de Estado, Marco Rubio, mencionou o empresário em uma reunião na Casa Branca no primeiro semestre. Segundo uma pessoa familiarizada com os esforços americanos, Rubio considerou que Betancourt poderia ser um parceiro viável por sua experiência em acordos de petróleo e na ampliação da produção venezuelana.

Críticas ao acordo

Rafael Ramírez, ex-ministro de Energia da Venezuela, criticou a parceria e afirmou que os Estados Unidos causaram estragos no país com o acordo. Ramírez classificou o pacto como “grotesco” e “insustentável no longo prazo”, por ter sido negociado em segredo com um governo autoritário que muitos venezuelanos consideram ilegítimo.

Sara Chouraqui, porta-voz de Betancourt e consultora jurídica-chefe da empresa, rejeitou as críticas. “Para Alejandro, isso não é político”, disse. Segundo ela, a possibilidade de revitalizar o potencial econômico da Venezuela representa uma vitória para o país, e não para um partido específico.

Rubio disse a um jornalista venezuelano que a parceria seria profissionalizada e funcionaria sob leis destinadas a impedir o uso inadequado do dinheiro. A Casa Branca não comentou o acordo. O Departamento de Estado afirmou que não havia problema jurídico pendente contra Betancourt nos Estados Unidos, enquanto o Departamento de Justiça e a Embaixada Britânica em Washington não responderam aos pedidos de comentário.

Trajetória empresarial

Betancourt estudou administração na Suffolk University, em Boston, depois de frequentar uma escola particular em Caracas. Ao retornar à Venezuela, começou vendendo turbinas e depois passou a atuar na construção de usinas de energia. A empresa recebeu contratos sem licitação durante o governo de Hugo Chávez.

O auditor independente José Aguilar afirmou que a empresa cobrou mais de US$ 800 milhões acima do valor devido de entidades estatais pelas usinas. Promotores europeus e americanos também investigaram alegações de pagamento de dezenas de milhões de dólares em propinas para obter contratos. Betancourt não foi acusado nesses casos, e Chouraqui declarou que ele nunca havia sido acusado de crime em nenhuma jurisdição.

O empresário entrou no setor petrolífero venezuelano em 2011, ao comprar uma participação minoritária na Petrozamora, produtora controlada pelo Estado que operava campos no Lago de Maracaibo. Manteve a participação até 2022, quando foi afastado da empresa por ordem de Tareck El Aissami, então ministro do Petróleo.

Após a expropriação, Betancourt se aproximou da facção do governo liderada por Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez. Ele recuperou a participação na Petrozamora em 2024 por meio da NABEP, registrada em Barbados. A empresa elevou a produção de 20 mil barris por dia para cerca de 200 mil barris por dia.

Com esse resultado, a NABEP se tornou a segunda maior empresa privada de petróleo da Venezuela e se aproximou da produção da Chevron, de cerca de 280 mil barris por dia. A parceria com Washington coloca Betancourt como interlocutor entre os governos americano e venezuelano e amplia sua influência sobre o setor petrolífero do país.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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