O Itaú pretende ampliar sua presença no financiamento de propriedades comerciais após integrar equipes do banco de atacado Itaú BBA e da gestora Itaú Asset. A nova divisão será dedicada a operações envolvendo galpões logísticos, prédios de escritórios e shopping centers, além de hotéis e loteamentos.
A estratégia busca atender a uma procura crescente de empresários e gestores por estruturas financeiras para desenvolvimento de projetos, compra e venda de ativos e venda de imóveis com locação, modalidade conhecida como sale and leaseback. Também estão no escopo instrumentos de dívida com garantia imobiliária, veículos de investimento com diferentes classes de cotas e o uso de cotas como forma de pagamento.
Estrutura e recursos
O Itaú BBA já financia incorporadoras em projetos residenciais há décadas, mas tinha participação discreta no segmento comercial. Na Itaú Asset, a área de capital privado administra R$ 80 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões estão relacionados a negócios imobiliários.
A integração não altera a atuação da Kinea, gestora investida do Itaú, que já trabalha de forma relevante no setor imobiliário. A nova estrutura terá como foco soluções de crédito customizadas para clientes que buscam operações específicas.
Um dos exemplos é o fundo imobiliário Itaú Log CP (ILCP11), criado para destinar R$ 1 bilhão à compra de 11 galpões logísticos da Log Commercial Properties. A operação foi organizada em três classes: cotas sênior, que ficaram com o Itaú BBA; mezanino, distribuída a investidores; e subordinada, subscrita pela própria companhia.
“Devemos crescer de forma expressiva nos próximos cinco anos. Temos apetite para isso”, afirmou Felipe Gottlieb, líder de Private Markets na Itaú Asset Management.
Setores prioritários
O banco considera os galpões logísticos o segmento mais aquecido. A menor quantidade de espaços vagos teria elevado os aluguéis e estimulado novos projetos, em um movimento associado ao crescimento do ecommerce.
Os escritórios passam por recuperação, com redução da vacância. Regiões como Faria Lima e Paulista já estão praticamente lotadas, enquanto a maior frequência do trabalho presencial contribui para a alta dos aluguéis.
Nos shoppings, o crescimento é menor. Os investimentos estão concentrados na expansão de empreendimentos existentes, e não em novas inaugurações. Ainda assim, há movimentação na compra e venda de ativos.
Na primeira metade do ano, os negócios com grandes propriedades comerciais somaram R$ 13,1 bilhões. O Itaú também avalia oportunidades em hotéis e loteamentos.
O diretor comercial imobiliário do Itaú BBA, Bruno Bianchi, disse que há discussões relevantes em andamento, com anúncios previstos para os próximos trimestres. Para Miltom d’Avila, superintendente do segmento imobiliário no banco, investidores são atraídos por dividendos recorrentes de aluguéis, possibilidade de valorização e pela existência de um ativo físico.



