O Brasil importa cerca de 85% das substâncias usadas na nutrição das plantas, apesar da posição do país na produção de grãos. A dependência torna o setor mais exposto a crises no fornecimento internacional de matérias-primas, como a instabilidade no Oriente Médio.
A variação no preço do enxofre mostra esse risco. O insumo é necessário para a fabricação de fertilizantes fosfatados e custava próximo de US$ 80 a tonelada em 2024. Durante a crise no Oriente Médio, chegou a US$ 1,2 mil e, recentemente, recuou para US$ 800 a tonelada. A alta levou fábricas a suspender atividades e o segmento solicitou R$ 2 bilhões ao governo federal.
Três nutrientes, três limitações
A dependência brasileira tem causas diferentes nos mercados de nitrogênio, fósforo e potássio. Nos nitrogenados, o principal obstáculo é o preço do gás natural, usado para produzir amônia, matéria-prima de fertilizantes como a ureia. De acordo com especialistas, o gás brasileiro custa mais que o disponível em países produtores importantes, o que reduz a competitividade nacional.
Com custos maiores, o produto brasileiro perde atratividade diante das alternativas importadas. Gisele Augusto, responsável por precificação de grãos e fertilizantes da consultoria Argus, afirma que essa condição também desestimula investimentos em novas unidades de ureia, devido à dificuldade de comercialização com margens rentáveis. A retomada de algumas fábricas da Petrobras é uma das medidas voltadas à ampliação da produção doméstica.
Nos fosfatados, o Brasil tem reservas de rocha fosfática e uma produção interna relevante. A dificuldade está na concentração do minério: uma parcela importante das reservas tem baixa concentração, segundo a StoneX. Isso restringe a fabricação competitiva de produtos de maior concentração, como o MAP. Em contrapartida, as características da matéria-prima favorecem a produção de superfosfato simples, o SSP.
O enxofre também afeta essa cadeia. Ele é utilizado na fabricação de produtos como MAP e DAP, e sua valorização elevou os custos das indústrias, que reduziram a produção ou paralisaram unidades no Brasil e em outros países.
No potássio, o fator decisivo é geográfico. Canadá, Belarus e Rússia concentram grandes depósitos e desenvolveram sua indústria a partir dessas reservas. O Brasil tem projetos para explorar jazidas nacionais, mas ainda há incertezas até que uma produção maior seja efetivamente alcançada.
A disponibilidade e a qualidade das reservas também são determinantes. A produção precisa contar com nutrientes adequados à mineração e dentro dos padrões de concentração usados na agricultura. Segundo Gisele Augusto, as importações somaram quase 14 milhões de toneladas de cloreto de potássio em 2025 e 11,6 milhões de toneladas de fosfatados (MAP/SSP/TSP/NP).



