BELÉM — Júlio César Uri Geller construiu no Clube do Remo a carreira profissional que não conseguiu iniciar no Flamengo, clube pelo qual torce desde a infância. Em Belém, o ex-jogador também se tornou ídolo da equipe azulina e passou a manter uma relação de carinho com a cidade.
Aos 18 anos, Uri Geller deixou a base do Flamengo sem espaço no elenco principal. O time carioca tinha uma formação competitiva, o que reduzia as oportunidades para novos jogadores. Depois de uma passagem pelo América-RJ, ele foi convidado pelo técnico Joubert Meira a defender o Remo.
O treinador já havia trabalhado com Júlio César e teve papel central na transferência para Belém. Uri Geller considera Joubert Meira seu principal orientador no futebol e atribui a ele a confiança necessária para seguir na carreira. Foi também Joubert quem lhe deu a oportunidade de vestir a camisa 11 do Remo.
Estreia contra o Cruzeiro
A estreia ocorreu em 1977, logo depois de o jogador chegar a Belém de ônibus e participar de um treino. O adversário foi o Cruzeiro, que havia conquistado a Libertadores um ano antes. Uri Geller também enfrentou Nelinho, lembrado por ele como o principal lateral-direito do mundo naquele período.
O Remo precisava vencer por uma diferença de quatro gols para alcançar a classificação. A equipe paraense conseguiu o resultado no Baenão: 4 a 0 sobre o Cruzeiro. Uri Geller descreveu a partida como uma estreia inusitada e destacou o desempenho do time nas temporadas de 1977 e 1978.
O apelido Uri Geller faz referência ao ilusionista conhecido nos anos 1970 por entortar talheres com a força do pensamento. No futebol, Júlio César recebeu o nome por sua habilidade para driblar e superar adversários.
Vínculo com Belém e o Remo
O ex-jogador passou duas temporadas em Belém e teve dois filhos na cidade, Felipe e Rafael, que morreram. Ele afirma que o Remo abriu as portas para a profissionalização e divide a gratidão entre o clube paraense e o Flamengo, onde continua trabalhando.
Atualmente com 70 anos, Uri Geller ainda guarda a camisa usada na decisão do título paraense pelo Remo. Naquela final, ele marcou um gol de pênalti. A peça ficou para o filho Henrique. Ao recordar a trajetória, o ex-jogador agradeceu aos dois clubes pela importância que tiveram em sua vida e em sua carreira.




