Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Voto de Coronel Nunes na Copa de 2026 contrariou acordo sul-americano

Ex-presidente da CBF escolheu o Marrocos na votação que definiu a sede do Mundial de 2026, apesar de orientação para apoiar a América do Norte.

Voto de Coronel Nunes na Copa de 2026 contrariou acordo sul-americano

Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido como Coronel Nunes, morreu na madrugada deste domingo (13), aos 87 anos. Militar, político e dirigente esportivo, ele presidiu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 2017 e 2019 e ficou marcado por uma decisão tomada na escolha da sede da Copa do Mundo de 2026.

Na votação, Nunes contrariou um compromisso articulado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). O entendimento reunia os dez países da América do Sul em torno da candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá. O apoio foi formalizado pela entidade em 13 de abril daquele ano, depois de uma reunião do Conselho em Buenos Aires, na Argentina. Mais tarde, o acordo foi confirmado em encontros em Assunção, no Paraguai, e Moscou, na Rússia. Nunes participou dessas reuniões como integrante do Conselho.

A escolha na votação da Fifa

A decisão sobre a sede ocorreu durante o Congresso da Fifa, em Moscou, por meio eletrônico. Os delegados podiam escolher entre a candidatura norte-americana, o Marrocos ou a opção “Nenhum deles”. Pouco antes da votação, a direção da CBF reforçou a Nunes que o Brasil deveria apoiar Estados Unidos, México e Canadá. Ele, porém, votou no Marrocos.

O ex-presidente da CBF acreditava que a escolha não seria revelada, mas a Fifa havia decidido divulgar os votos. Inicialmente, afirmou: “o voto é secreto”. Depois, confirmou sua preferência pelo país africano. “Seria bom se fosse Marrocos”, declarou Nunes.

A posição foi vista na Conmebol como uma ruptura do compromisso entre os países sul-americanos. A entidade esperava que o apoio à candidatura da América do Norte abrisse caminho para receber, na disputa pela Copa de 2030, os votos dos países do Norte. Na ocasião, Argentina, Paraguai e Uruguai formariam uma candidatura. Dirigentes brasileiros e sul-americanos não comentaram o caso publicamente, mas o episódio provocou críticas e piadas nos bastidores.

A expectativa também era de que o Brasil apoiasse a candidatura norte-americana. Na Fifa, a decisão causou perplexidade, enquanto representantes marroquinos entenderam o voto como demonstração de apoio ao país.

Justificativa e trajetória na CBF

Nunes disse que escolheu o Marrocos porque o país nunca havia sediado uma Copa do Mundo. Também mencionou o resultado final da eleição: Estados Unidos, México e Canadá venceram por 134 votos a 65.

Antes de chegar à presidência, Nunes foi eleito vice-presidente da CBF em 16 de dezembro de 2015, quando Marco Polo Del Nero se licenciou para se defender de acusações nos Estados Unidos. Del Nero acabou banido do futebol, e Nunes ficou no comando da entidade até abril de 2019.

Rogério Caboclo havia sido escolhido para presidir a CBF em 2018, mas seu mandato começaria apenas em abril de 2019. Até essa transição, Nunes manteve os poderes de presidente. Naquele período, declarou confiança na seleção brasileira: “Eu disse ao presidente da Fifa [Gianni Infantino] preparar a taça para o Brasil. Eu quero levantar a taça”.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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