Arthur Rosseto deixou o futebol profissional para trabalhar na propriedade rural da família e participar da gestão do Sítio Helena, marca de café criada em pequena escala no Paraná. Aos 26 anos, o ex-goleiro divide a rotina entre a produção, a empresa, os vídeos para as redes sociais e os treinos de triatlo.
Nascido em Mandaguari, Arthur saiu de casa ainda adolescente para seguir carreira no esporte. Dos 14 aos 24 anos, viveu longe da família. Passou pelo futsal, migrou para o futebol de campo e chegou à Chapecoense, onde permaneceu até 2021 e integrou o elenco campeão da Série B. Também jogou pelo São Caetano, pelo Campeonato Paulista e pela Copa Paulista, além de atuar por equipes menores.
A saída dos gramados ocorreu em 2024. Inicialmente, Arthur tratava a decisão como uma pausa, mas afirma que a possibilidade de retorno deixou de fazer sentido. “Com o passar do tempo eu vi que o futebol já não era mais uma opção de volta para mim”, diz.
Da carreira esportiva ao café
A escolha foi influenciada pela distância de casa e pela necessidade de mão de obra na propriedade da família. O avô, que está perto dos 80 anos, e o tio estavam entre os responsáveis pelo trabalho no sítio. Arthur também afirma que já não se sentia feliz com a perspectiva de seguir no futebol sem alcançar a elite.
Depois de deixar os clubes, tentou manter uma rotina dedicada à produção de conteúdo, mas percebeu que precisava de uma atividade mais estruturada. A resposta veio no sítio, onde passou a ajudar o avô, o tio e a mãe. Na marca e na torrefação, os sócios são Arthur, a irmã e o tio Ronaldo.
A ligação com o café, segundo Arthur, atravessa seis gerações. A família produz o grão, acompanha o processamento e realiza a torra. Antes vendida sobretudo para consumidores próximos de Mandaguari, a marca passou por uma reformulação e vem registrando aumento nas vendas mês a mês. Arthur atribui o avanço principalmente ao marketing e à conexão entre o produtor, a propriedade e o produto final.
Em 2021, ainda jogador, ele havia aberto uma empresa de vestuário, que acabou falindo. A experiência, afirma, ajudou a identificar erros que não queria repetir na condução do novo negócio.
Conteúdo, esporte e expansão
Arthur mostra nas redes sociais etapas como a lavoura, a colheita, o processamento e a torra. A intenção é aproximar o consumidor da origem do café e explicar as mudanças de preço e as dificuldades da produção. A combinação de trabalho rural, esporte e vida cotidiana fez o perfil superar 1 milhão de seguidores no Instagram.
Ele diz que essa mistura não foi planejada para criar um personagem. O conteúdo surgiu da própria rotina, enquanto a constância ajudou a ampliar o alcance. A exposição, porém, também trouxe críticas e uma percepção maior de responsabilidade sobre o que publica.
O esporte continua presente. Arthur se prepara para disputar um Ironman completo em Cozumel, no México, e já participou de uma ultramaratona de 100 quilômetros, na qual percorreu 90 quilômetros. Os treinos podem ocupar seis ou sete horas nos fins de semana, além de exigirem organização para conciliar a empresa, o sítio e a produção dos vídeos.
Para o futuro, a meta é transformar o Sítio Helena na maior marca de café artesanal do Brasil, ampliar a distribuição pelo país e chegar ao mercado internacional. Arthur pretende aumentar as terras da família para manter o uso de insumos próprios e preservar o controle sobre a origem do produto.




