As goleadas sofridas pelo Interporto na Série D de 2023 e um relatório que apontou partidas suspeitas estão entre os elementos analisados pela Polícia Civil do Tocantins. A investigação também apura possíveis tentativas de interferência em jogos do Capital FC. Os dois inquéritos seguem de forma independente.
O caso do Interporto é conduzido pela 70ª Delegacia de Polícia de Porto Nacional. A apuração envolvendo o Capital está sob responsabilidade da 71ª Delegacia de Polícia. A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que os investigadores analisam documentos, cruzam dados, verificam provas já reunidas e realizam outras diligências. Os detalhes dos elementos obtidos permanecem sob sigilo para preservar o trabalho policial.
Interporto
As suspeitas sobre o Interporto começaram a ser formalizadas após a derrota por 8 a 1 para o Iporá-GO, pela segunda rodada da Série D de 2023, em maio daquele ano. O então presidente Renato Godinho registrou um Boletim de Ocorrência em Porto Nacional. Ele relatou que o time havia terminado o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 e sofrera três gols em menos de dez minutos no início da etapa final.
Em julho de 2023, o clube perdeu por 10 a 0 para o Brasiliense-DF. Na época, o placar passou a ser a maior goleada da história de todas as divisões do Campeonato Brasileiro, acima do 10 a 1 de Corinthians contra Tiradentes-PI, em 1983. Depois da partida, a diretoria registrou outra ocorrência e informou que quatro gols haviam sido marcados nos primeiros dez minutos.
O Interporto terminou aquela edição com 47 gols sofridos e três marcados em 14 partidas. Em abril de 2024, um relatório da Sportradar apontou cinco jogos suspeitos de manipulação de apostas: contra Iporá-GO, Anápolis-GO, Operário-VG (MT), Brasiliense-DF e União Rondonópolis-MT.
Godinho foi intimado a prestar esclarecimentos ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva e depois deixou a presidência. O clube é comandado atualmente por Wilton Belém.
Capital
A investigação sobre o Capital veio a público em abril de 2024, depois que a própria diretoria procurou as autoridades para relatar indícios de aliciamento e tentativa de fraude entre jogadores durante a Série D daquele ano. Policiais foram ao alojamento da equipe, ouviram seis atletas e integrantes da comissão técnica e apreenderam um celular para perícia.
Informações policiais indicaram que intermediários de esquemas de apostas teriam oferecido valores na faixa de R$ 15 mil a jogadores para interferir nas partidas. Os crimes investigados incluem fraude a resultados esportivos, associação criminosa e eventual lavagem de dinheiro.
O Capital terminou sua primeira participação na quarta divisão com dez derrotas, dois empates e duas vitórias em 14 jogos, além de 29 gols sofridos. O clube afirmou ter denunciado os indícios e disse apoiar punições rigorosas e o banimento do esporte se as condutas ilícitas fossem comprovadas. O Capital informou que não tinha declaração a dar no momento, enquanto o Interporto não respondeu.



