BELÉM — Rafaela Penelva vive uma situação incomum antes do confronto entre Remo e Flamengo, marcado para domingo (6), às 16h, no Mangueirão, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Pedagoga e torcedora dos dois clubes, ela já definiu que apoiará o time paraense quando a bola rolar.
A relação com o Remo foi construída dentro da família. O avô de Rafaela era remista, o pai também e chegou a jogar no Sub-20 do clube. Além disso, o avô trabalhou no Remo. Para ela, o vínculo com o Leão representa uma tradição que atravessou gerações.
“Está no nosso sangue ser remista”, resume Rafaela.
Uma paixão que começou na escola
O Flamengo entrou na vida da torcedora de outra maneira. Aos 11 anos, quando ainda estava muito ligada ao futebol regional e ao Remo, ela se interessou pelo escudo e pelas cores rubro-negras vistos nas camisas de colegas da escola. Na ocasião, saiu com a mãe para comprar um caderno e escolheu um produto com o símbolo do clube.
A partir daí, passou a acompanhar os jogos e ouviu o hino do Flamengo pela primeira vez. A paixão pelo clube carioca cresceu, mas não substituiu a ligação com o Remo. Rafaela considera que os dois times ocupam espaços diferentes em sua vida: o Flamengo representa uma identificação de alcance nacional, enquanto o clube paraense está associado à cidade, à família e às raízes.
O duelo coloca esses sentimentos em lados opostos. O Flamengo disputa a parte de cima da tabela e briga pelo título. O Remo tenta se afastar da parte de baixo e tem como objetivo permanecer na elite do futebol brasileiro. Mesmo reconhecendo a diferença entre os momentos das equipes, Rafaela afirma que torcerá pelo Leão.
“Vou torcer pelo meu Leão, pelo sangue, pela raiz, nossa cultura”, afirma.
A partida será acompanhada em família, com o apoio direcionado ao Remo. Rafaela diz que a torcida terá o jeito paraense, com otimismo e força, apesar da presença de flamenguistas entre as pessoas próximas.
Memórias no estádio
A história da torcedora com o Remo também inclui a presença em momentos decisivos da trajetória recente do clube. Ela acompanhou no estádio os acessos da Série C para a Série B e da Série B para a Série A.
A chegada novamente à primeira divisão teve significado especial para Rafaela, por representar o retorno de um clube do Norte entre os principais times do país e reforçar a identidade compartilhada por seus torcedores.
A escolha para o jogo contra o Flamengo, portanto, não apaga a paixão pelo time carioca. Para Rafaela, o encontro entre os dois clubes exige uma decisão, e ela será pelo Remo, em nome da família e da tradição remista.



