O Vasco da Gama avalia recorrer à Justiça para contestar a licitação que colocou a administração do Maracanã sob responsabilidade do consórcio formado por Flamengo e Fluminense. A decisão é discutida após sucessivas negativas a pedidos do clube para disputar partidas no estádio Jornalista Mário Filho.
A primeira solicitação ocorreu nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Vitória. O Vasco entendia que havia datas disponíveis porque Flamengo e Fluminense já tinham sido eliminados da competição. O consórcio, porém, considerou que o pedido não foi feito em tempo hábil. A tentativa de reverter a decisão por meio judicial não prosperou.
O clube também pediu para enfrentar o Independiente Santa Fé no Maracanã, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, na próxima terça-feira (15), às 19 horas. Houve nova negativa. Depois de conhecer os mandos de campo das semifinais da Copa do Brasil contra o Palmeiras, a diretoria fez outra tentativa e recebeu a mesma resposta, ainda que de maneira informal.
Questionamentos sobre a administração
A insatisfação inclui o entendimento, dentro do Vasco, de que a concorrência não considerou a possibilidade de o clube participar da administração do estádio. O clube também questiona a presença de pessoas ligadas ao Flamengo no consórcio e no Governo do estado do Rio de Janeiro. Para integrantes do Vasco, essa configuração poderia inviabilizar o uso do Maracanã por razões políticas, e não técnicas.
Entre os nomes citados está Luis Felipe de Barros, diretor de operações do consórcio. Ele teria sido indicado por Flávio Willeman, vice-presidente do Flamengo, procurador-geral do Estado e secretário da Casa Civil do Governo do Rio.
A Secretaria de Estado da Casa Civil declarou que Flávio Willeman se considera impedido de tratar de questões relacionadas ao Flamengo ou ao Consórcio Maracanã enquanto ocupa o cargo. A gestão do contrato da licitação está sob responsabilidade de André Legey, subsecretário de Gestão Administrativa e Patrimonial.
O CEO do consórcio, Fred Nantes, afirmou que as recusas ocorreram por razões técnicas e relacionou as decisões às condições do gramado. “Quando recebermos, será avaliado, como foram avaliados os outros pedidos”, disse.
Outro ponto citado pelo Vasco é um memorando de entendimento assinado com Flamengo e Fluminense em 2025. O documento previa de quatro a oito jogos do clube no estádio, além dos clássicos com os dois rivais. A estimativa era de até 19 partidas, mas o acordo não tem validade porque não foi assinado pelo consórcio.



