O Rio Grande do Sul deve ter chuvas acima da média durante a primavera, com risco de temporais, granizo e vendavais. A previsão do meteorologista Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é de que esse cenário continue durante o verão.
A condição está associada ao El Niño, que elevou em mais de 3°C a temperatura das águas do Oceano Pacífico em relação à média histórica para esta época. Segundo Lopes, o aquecimento já coloca o fenômeno entre os mais intensos já observados. Em setembro, o oceano atingiu um patamar que, em outros episódios classificados como super El Niño, só havia sido registrado perto do fim do ano.
“Essa temperatura deve continuar subindo, confirmando, sim, esse El Niño como o mais quente já registrado na história”, afirmou o meteorologista.
Período de maior chuva
A intensidade máxima do aquecimento é esperada entre novembro e dezembro. A influência sobre as chuvas deve continuar no verão, mas a ligação mais direta entre o El Niño e o aumento da precipitação no estado ocorre durante a primavera.
Lopes prevê mais chuva em outubro. O maior volume deve se concentrar entre novembro e janeiro, meses em que esses episódios costumam ser mais frequentes no Sul do país. Atualmente, os eventos estão distribuídos pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A tendência é de que, com o avanço da primavera e no início do verão, a concentração aumente no território gaúcho.
Todo o estado está sujeito a tempestades. A frequência costuma ser maior nas regiões Norte e Oeste, enquanto o Leste registra menos ocorrências, embora também possa sofrer impactos. A Região Central, onde está Santa Maria, também pode ter chuva intensa, granizo, vendavais e tornados.
Nas ocorrências registradas desde o início desta semana, 136 municípios foram atingidos por granizo, chuva intensa, vendavais, deslizamentos, inundações e alagamentos. Mais de 70 mil pessoas foram afetadas, seis ficaram feridas, cerca de 6,3 mil estão desalojadas, 8.453 casas foram danificadas e 480 ficaram destelhadas.
Tornados e ciclones
Lopes afirmou que tornados já ocorreram diversas vezes no Rio Grande do Sul nas últimas décadas, inclusive com forte intensidade. Para ele, a maior disponibilidade de celulares e o acesso ampliado à internet facilitaram o registro desses fenômenos.
Especificamente em 2026, porém, a frequência de tempestades está maior devido ao El Niño. O fenômeno altera a dinâmica dos sistemas meteorológicos que atravessam o estado e reforça a chegada de umidade vinda da Região Amazônica, combinação que favorece condições de tempo severo.
Apesar da previsão de mais chuva, o meteorologista disse que, até o momento, não há indicação de repetição do quadro observado em 2024. Na avaliação dele, naquele período houve uma combinação de fatores que não aparece no cenário atual. Ainda assim, a população continuará exposta aos riscos associados às tempestades.
Os alertas, segundo Lopes, devem ser usados para orientar a preparação e o acompanhamento das informações meteorológicas, sem provocar pânico.
Na primavera, as temperaturas devem ficar dentro da média. A previsão indica o padrão típico da estação, com manhãs mais frias e tardes mais quentes. Essa alternância deve ocorrer antes e depois das chuvas: após a precipitação, pode haver queda nas temperaturas, seguida pela retomada do calor.



