Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Minas

Perito de Dark Horse mantém contrato de R$ 728,5 mil com instituto de Cajamar

Empresa de Anísio Costa Castelo Branco presta apoio ao instituto que investiu R$ 87 milhões em títulos do Banco Master.

Perito de Dark Horse tem contrato de R$ 728 mil com previdência exposta ao Banco Master
Foto: Reprodução

A empresa comandada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco mantém um contrato de R$ 728,5 mil com o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), que aplicou R$ 87 milhões em títulos emitidos pelo Banco Master. Anísio também foi contratado para analisar as contas de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro financiado com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O contrato com o IPSSC foi firmado em janeiro de 2026, por inexigibilidade de licitação. Do valor total, R$ 692,7 mil correspondem a uma perícia investigativa defensiva sobre os desdobramentos dos investimentos no banco. O serviço é executado pelo IPI – Instituto de Perícia Investigativa, dirigido por Anísio.

Em 7 de maio, o instituto indicou o perito como assistente técnico em uma ação judicial que discute os R$ 87 milhões investidos no Banco Master. Em 11 de junho, pouco mais de um mês depois, ele assinou a perícia sobre as contas do filme.

O trabalho sobre os investimentos

Anísio informou que a equipe examina demonstrações contábeis do Banco Master, acompanha procedimentos administrativos no Banco Central e analisa documentos elaborados pela KPMG e pela Fitch Ratings. A perícia também envolve a atuação do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Previdência.

O IPI presta assistência técnica aos advogados do IPSSC em ações e procedimentos relacionados às aplicações. O trabalho pode produzir laudos, pareceres e notas técnicas para embasar medidas de recuperação de recursos, pedidos de indenização e eventual responsabilização de agentes. Segundo Anísio, a perícia continua em andamento e não há conclusão definitiva sobre responsabilidades.

Dados do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo mostram que Cajamar fez três aplicações em Letras Financeiras do Banco Master: R$ 35 milhões em outubro de 2023, R$ 25 milhões em dezembro daquele ano e R$ 27 milhões em março de 2024. O total correspondia a mais de 15% da carteira do regime próprio de previdência do município.

O órgão levou o caso ao Tribunal de Contas do Estado, questionando as aplicações e a exposição dos recursos previdenciários ao banco. Em levantamento posterior, identificou R$ 238,15 milhões investidos por fundos previdenciários municipais paulistas em ativos relacionados ao Master. Cajamar ficou atrás apenas de São Roque, que tinha R$ 93,15 milhões.

Perícia sobre o filme

Uma ação popular questiona as três aplicações do IPSSC. São réus o instituto, o Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-dirigentes da previdência municipal, uma consultoria e Danilo Joan, então prefeito de Cajamar.

Em abril, a Justiça determinou uma perícia contábil e atuarial para avaliar a situação financeira do banco quando os aportes foram feitos, as análises de risco realizadas antes das operações, os responsáveis pelas decisões e um possível impacto sobre o patrimônio previdenciário.

No caso de Dark Horse, a contratação de Anísio foi feita pelo escritório HSLaw, de Ricardo Hasson Sayeg. O perito afirmou que o escritório tinha conhecimento de sua atuação no caso do Banco Master em Cajamar. Ele também disse que as duas contratações passaram pelo compliance do IPI e que a avaliação interna não apontou conflito de interesses.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.