GOIÂNIA — O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou neste domingo, 27, o uso da religião na disputa eleitoral e pediu que o ambiente de intolerância seja contido. A declaração ocorreu após uma missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges, em meio à circulação de informações falsas que vinculavam Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Flávio negou apoio a qualquer iniciativa desse tipo. A controvérsia ganhou força depois que uma declaração sobre um suposto movimento de setores evangélicos passou a ser compartilhada nas redes sociais como se tivesse relação direta com o candidato. Posteriormente, houve pedido de desculpas, e foi informado que um projeto com esse objetivo havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte.
Caiado afirmou ser católico praticante e devoto de Nossa Senhora das Graças. Para ele, a liberdade religiosa deve ser assegurada pelo Estado, sem distinção de crença. “Nós temos que respeitar todas as religiões”, disse. O candidato também afirmou que o ódio passou a afetar o equilíbrio da campanha e a convivência entre as pessoas.
No sábado, 26, Caiado já havia tratado do episódio nas redes sociais, sem citar Flávio. Na ocasião, escreveu que lhe doía ver alguém tentar apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil e declarou: “Ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo brasileiro.”
Repercussão nas redes
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado, registrou 977,6 mil publicações sobre o caso em 55 horas, com 8,5 milhões de interações.
Durante a agenda em Goiânia, Caiado também criticou a decisão do governo Lula de proibir as bets. Ele classificou a medida como oportunista, disse ser contrário a jogos e afirmou que, enquanto governador, não autorizou loteria em Goiás.
Na avaliação do candidato, a reta final da eleição é marcada pelo antagonismo. Ele defendeu uma condução política baseada na pacificação e na formação de alianças.
Na sexta-feira, 25, Lula assinou uma medida provisória que proíbe as bets no país e anunciou o Desenrola Brasil 3.0. Caiado criticou o programa nas redes sociais e acusou o presidente de agir no desespero.



