CEARÁ — Ciro Gomes (PSDB) lidera as pesquisas para o governo do Ceará, enquanto o irmão Cid Gomes (PSB) concorre à reeleição ao Senado na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). A composição reúne Cid, Elmano, Luizianne Lins e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mesmo campo político e coloca os irmãos em lados opostos na eleição deste ano.
Na pesquisa Quaest divulgada em 4 de setembro, Ciro tinha 45% das intenções de voto, contra 34% de Elmano. No levantamento Datafolha divulgado na última sexta-feira, 18, o candidato do PSDB aparecia com 47%, enquanto o governador registrava 40%.
Para o Senado, o levantamento Real Time Big Data divulgado também na sexta-feira apontou Cid na liderança, com 26% da preferência por uma das duas vagas. Capitão Wagner (União) e Luizianne Lins (Rede) tinham 20% cada, e Alcides Fernandes (PL), 19%.
Uma ruptura que ganhou forma eleitoral
O cientista político Emanuel Freitas, professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), e a cientista política Mariana Dionísio, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), avaliam que a disputa aprofunda uma divisão política, partidária e familiar que já vinha se manifestando.
Freitas afirma que o grupo político formado pelos irmãos deixou de existir em 2022, após uma divergência sobre qual candidato apoiaria a eleição para o governo do Ceará. Ciro era visto como o “mentor intelectual” do projeto dos Ferreira Gomes, enquanto Cid atuava como executor.
Com a separação, parte dos aliados de Ciro saiu do PDT e migrou para siglas como PSDB e União Brasil. Cid reorganizou sua base no PSB. Mariana aponta que houve fragmentação, mas afirma que os dois mantêm capital político e grupos próprios.
A distância entre os irmãos passou a aparecer de modo mais direto nos discursos deste ano. Em um ato em Fortaleza, no início do mês, Ciro disse que sua relação familiar com Cid “não existe mais”. Também afirmou que o senador deveria responder “perante Deus e perante a opinião pública” por suas ações e omissões.
Cid, por outro lado, criticou em entrevistas a aproximação de Ciro com bolsonaristas. Ele declarou estar do “lado certo” e disse que sua candidatura na chapa de Elmano não foi criada para derrotar o irmão: “Quando eu resolvi apoiar o Elmano, o Ciro nem era candidato”. Na última semana, em entrevista à Verdinha FM, relatou ter sido chamado de “traidor” durante um encontro com Ciro mediado por terceiros.
Estratégias dos dois campos
Para Emanuel Freitas, a presença dos irmãos no centro da eleição decorre de decisões dos dois lados. A oposição apostou em Ciro como nome capaz de enfrentar o PT, enquanto Elmano, Camilo Santana e Lula defenderam a inclusão de Cid na chapa governista.
Mariana Dionísio considera Cid um dos principais ativos eleitorais do PT, especialmente por sua capacidade de articulação no interior do Estado. A campanha de Elmano também explora a proximidade entre o governador, Lula, Cid e Luizianne Lins.
Ao mesmo tempo, os aliados de Elmano associam Ciro ao bolsonarismo por causa das alianças eleitorais. A chapa do candidato reúne Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL).
Os especialistas não afirmam se essa estratégia será suficiente para conter Ciro. A avaliação apresentada é que a eleição pode definir tanto o vencedor da disputa pelo governo quanto o espaço ocupado, nos próximos anos, pelas correntes políticas ligadas aos dois irmãos.



