Documentos sigilosos do inquérito sobre o filme “Dark Horse”, liberados nesta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, registram que o sócio da Go Up nos Estados Unidos recusou o envio voluntário de informações à Polícia Federal. Michael Brian Davis afirmou que a empresa só entregará documentos mediante ordem de um juiz norte-americano.
A posição foi comunicada por e-mail a Karina Gama, sócia da produtora no Brasil, em 2 de setembro. Davis disse que a orientação partiu dos advogados da Go Up e incluiu documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais. Ele também afirmou que pedidos brasileiros sobre dados sob jurisdição dos Estados Unidos devem passar por canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.
“De modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano”, escreveu Davis. Ele pediu ainda que nenhum material da empresa fosse compartilhado antes da validação dos requisitos pelos advogados nos Estados Unidos.
O que a PF pediu
Em 19 de agosto, a Polícia Federal havia solicitado a Karina a apresentação voluntária de documentos relacionados à produção. Entre os itens estavam faturas emitidas e recebidas no exterior, contratos com atores estrangeiros — incluindo Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro — e comprovantes ou relatórios financeiros.
Os investigadores buscavam demonstrar a realização dos gastos divulgados publicamente como de aproximadamente R$ 54,2 milhões em território norte-americano. A defesa de Karina encaminhou ao STF parte dos documentos da produção, incluindo comprovantes de despesas, junto com a resposta negativa de Davis sobre os registros da empresa no exterior.
Investigação sobre o financiamento
Desde julho, Flávio Bolsonaro é investigado por sua atuação nas negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, hoje aproximadamente R$ 122,7 milhões, destinados ao filme baseado na biografia de Jair Bolsonaro. O longa tem relação com a investigação que também envolve Eduardo Bolsonaro, apontado nos documentos como gestor do dinheiro arrecadado.
A PF apura a arrecadação para a produção e a suspeita de que parte dos recursos tenha custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Flávio havia prometido divulgar uma prestação de contas, mas transferiu à Go Up a responsabilidade pela apresentação do balanço.
Após a liberação de parte dos documentos, o senador defendeu o fim da confidencialidade do material e afirmou: “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”.
Documentos da investigação apontam que, do valor negociado com Vorcaro, pelo menos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, foram efetivamente pagos.



