SANTA CRUZ — Quatro pessoas foram encontradas pela polícia tentando retirar maços de dinheiro da residência de Roger Mariaca dentro de uma ambulância, na madrugada desta quinta-feira (1º). Um vídeo divulgado pelo Ministério do Interior mostra agentes retirando as cédulas dos painéis do veículo.
O episódio ocorreu horas depois de o procurador-geral da Bolívia ser preso, na noite da última quarta-feira (30), em Santa Cruz. Mariaca é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e narcotráfico.
Prisões e sanções
Além das quatro pessoas localizadas na ambulância, foram presos quatro promotores e seis funcionários da Procuradoria-Geral. O ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a ação desmantelou uma organização criminosa dentro do sistema judicial.
Segundo Oviedo, a Procuradoria-Geral, durante a gestão de Mariaca, teria se transformado em uma estrutura dedicada a proteger, fomentar e resguardar o narcoterrorismo. O ministro também disse que a detenção contou com a cooperação do governo dos Estados Unidos no âmbito da luta contra o terrorismo.
Dois dias antes da prisão, os Estados Unidos revogaram o visto de Mariaca e o incluíram entre autoridades latino-americanas sancionadas por supostamente aceitar subornos para facilitar o tráfico de drogas. Washington também proibiu a entrada do procurador e de seus familiares em território americano.
Outros 12 bolivianos foram sancionados, incluindo promotores de alto escalão e um coronel da polícia. O governo americano acusa Mariaca de solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça.
A Procuradoria-Geral informou que Luis Montaño Morales, promotor de maior hierarquia, assumirá o cargo interinamente. O advogado Romel Ipamo disse que Mariaca cooperará com a investigação e pediu garantias de devido processo legal.
Mariaca foi designado procurador-geral pelo Congresso em outubro de 2024. Ele investigava o consultor político argentino Fernando Cerimedo por tentativa de feminicídio e lavagem de dinheiro. A prisão acontece durante uma aproximação entre a Bolívia e os Estados Unidos, após a chegada do presidente Rodrigo Paz ao cargo em novembro de 2025. Em março, Paz incorporou o país à Aliança Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o crime organizado transnacional.



