O governo brasileiro acompanha os planos dos Estados Unidos de transferir drones militares MQ-9 Reaper para a estrutura responsável pelas operações na América do Sul. A movimentação ocorre durante a expansão de ações antidrogas e antiterrorismo com governos da região e é avaliada sob os aspectos da soberania e da presença militar americana perto do território nacional.
Ainda não há definição sobre a quantidade de aeronaves. Uma fonte indicou que a maior parte dos MQ-9 atualmente vinculados ao comando americano na África pode ser deslocada para a América do Sul. Entre as possibilidades consideradas está o emprego dos equipamentos em operações no Equador.
Alcance e funções dos drones
O MQ-9 Reaper reúne recursos de vigilância e ataque. O modelo pode coletar informações e realizar ataques de precisão. Dados da Força Aérea dos EUA indicam que o drone consegue permanecer no ar por cerca de 27 horas, alcançar aproximadamente 1.850 quilômetros e operar a mais de 15 quilômetros de altitude.
A transferência deve ampliar os recursos militares americanos já deslocados para a região. No ano passado, os Estados Unidos enviaram ao Caribe drones do mesmo modelo, caças F-35 e uma aeronave AC-130 durante operações contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.
Avaliação do governo brasileiro
Integrantes da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva demonstram preocupação com a possibilidade de operações em países vizinhos avançarem sobre áreas sensíveis ou ampliarem a presença militar dos Estados Unidos na América do Sul.
Ao mesmo tempo, o governo avalia que ações restritas ao combate ao narcotráfico poderiam enfraquecer grupos criminosos de países vizinhos que mantêm conexões com facções brasileiras. Até agora, não houve conversas para que o Brasil receba os MQ-9.
Fontes do governo afirmaram que o país tende a priorizar parcerias militares com transferência de tecnologia.



