Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Mulheres são maioria do eleitorado e aparecem em propostas ao governo do Paraná

Com 53% dos eleitores, mulheres são foco de medidas sobre violência, saúde, autonomia econômica e participação política nos planos dos candidatos.

Mulheres são maioria do eleitorado e aparecem em propostas ao governo do Paraná
Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

As mulheres representam 53% do eleitorado do estado e podem ter peso decisivo na escolha do próximo governador, além dos representantes para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. O Paraná tem 8.411.481 eleitores registrados, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), e o primeiro turno das eleições gerais de 2026 será realizado no dia 4 de outubro.

Na última pesquisa Quaest para o governo estadual, 23% das mulheres afirmaram estar indecisas sobre o voto. Foi a maior parcela de indecisos do levantamento. Entre os oito candidatos ao governo, há uma mulher, Tayná Miessa, da Unidade Popular (UP). Também concorrem ao cargo de vice-governadora Daiana Criminácio, do Mobiliza, e Helena Figueiredo, do PSTU.

Os planos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reúnem propostas relacionadas principalmente ao enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio, à saúde, à autonomia econômica, ao cuidado e à participação das mulheres na política. No primeiro semestre de 2026, foram registrados 55 feminicídios no estado, que aparece como o terceiro do país com maior número desse tipo de crime, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.

Propostas dos candidatos

Adriano Funileiro (PCO) propõe aposentadoria após 25 anos de trabalho para mulheres e 30 anos para homens. A medida está associada à intenção de revogar reformas de 2016. O plano não apresenta outras propostas específicas para o público feminino. A mudança nas regras do INSS, porém, não está entre as atribuições do governador e dependeria do Congresso Nacional.

No plano de Alexandre Salomão, a única referência às mulheres está relacionada à vice Daiana Criminacio. O documento menciona sua atuação no Movimento Mulheres e Política de São José dos Pinhais e sua participação em debates sobre educação inclusiva, fortalecimento das famílias, desenvolvimento humano e participação feminina na política.

Luiz França inclui o combate à violência contra a mulher no eixo de segurança pública. O candidato defende uma política orientada por resultados, com análise das causas dos crimes, identificação dos responsáveis institucionais, planejamento integrado e nova avaliação. O plano também questiona o uso do Fundo Paraná para financiar atendimento jurídico e psicológico a vítimas de violência, sem indicar outra fonte para manter essas ações.

Requião Filho (PDT) apresenta medidas nas áreas de saúde, segurança, autonomia e igualdade de gênero. Entre elas estão hospitais regionais integrados ao SUS, com maternidades para gestações de alto risco, além de ginecologia, oncologia, neonatologia, pediatria e atendimento multiprofissional. O candidato propõe fortalecer a Secretaria da Mulher, criar centros semelhantes à Casa da Mulher Brasileira, implementar o Pacto Contra o Feminicídio e ampliar o atendimento policial especializado em todas as regiões.

O plano também prevê ações para aumentar a autonomia das mulheres, com integração entre cuidado, transporte, qualificação, crédito e emprego. Requião Filho defende ainda a ampliação progressiva da presença feminina nos espaços de poder, tendo a paridade como horizonte político, sem cota obrigatória.

O candidato do PSTU concentra suas propostas no combate à violência, nos direitos reprodutivos, na divisão do trabalho de cuidado e nos direitos das trabalhadoras negras e domésticas. O plano cita aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS; Delegacias da Mulher 24h em todas as comarcas; casas-abrigo; centros de referência; e reformulação de programas de auxílio para vítimas que rompam ciclos de violência doméstica.

Também são propostas creches, escolas integrais, lavanderias públicas, restaurantes populares e serviços de apoio ao cuidado de idosos e pessoas com deficiência. O objetivo declarado é reduzir a sobrecarga atribuída às mulheres. O candidato defende educação sexual, combate a ideologias misóginas, licença parental de um ano compartilhada entre os responsáveis e políticas específicas para mulheres negras e trabalhadoras domésticas.

Sandro Alex propõe fortalecer a Rede Materno-Infantil, com ultrassom morfológico, reprodução humana assistida, tratamento da endometriose e medicina fetal. O programa Paraná contra o feminicídio incluiria protocolo estadual de risco, resposta imediata da rede de proteção, medidas protetivas, Patrulha Maria da Penha e botão do pânico.

O candidato também prevê expandir a Casa da Mulher Paranaense, incentivar o empreendedorismo pelo Banco da Mulher Paranaense e ampliar o programa Recomeço, criado em 2025, com auxílio emergencial, moradias seguras e incentivos para a contratação de vítimas de violência. Para as mulheres do campo, propõe apoio técnico, crédito, formação, tecnologia, comercialização e participação em espaços de decisão.

Sergio Moro divide suas propostas entre saúde, enfrentamento à violência, autonomia econômica, meio rural, inovação e representação na administração pública. O plano inclui prevenção e diagnóstico de cânceres de mama e colo do útero, cuidado materno-infantil, expansão de creches e ampliação do acesso de mulheres do campo a crédito e assistência técnica.

Na segurança, Moro propõe ampliar a Patrulha Maria da Penha, usar inteligência artificial e integração de dados para identificar situações de risco e padronizar o atendimento entre polícias, assistência social, saúde e Justiça. O documento também prevê maior participação feminina na inovação e nos cargos da alta administração estadual, sem metas específicas.

Tayná Miessa (UP) propõe delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, casas de passagem e abrigos para vítimas de violência doméstica, além de assistência financeira por até 12 meses para mulheres em situação de vulnerabilidade. A candidata defende ampliar o acesso à Justiça e à assistência jurídica gratuita e adotar gestão paritária nas pastas do Executivo.

Na área econômica, o plano prevê cursos gratuitos para mulheres vítimas de violência, prioridade na intermediação de mão de obra pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) e proibição de diferenças salariais ou de critérios de admissão motivadas por gênero, maternidade, idade, cor, orientação sexual ou estado civil. Também são citados o Estatuto da Igualdade, o Programa de Brigadista da Igualdade, lavanderias e restaurantes públicos.

Perfil do eleitorado

Curitiba concentra 1.375.015 eleitores, seguida por Londrina, com 383.345; Maringá, com 290.960; Ponta Grossa, com 251.282; Cascavel, com 232.746; São José dos Pinhais, com 218.198; e Foz do Iguaçu, com 200.128.

Do total, 4.443.232 eleitores são mulheres, 3.968.226 são homens e 23 não tiveram o gênero informado. Entre as eleitoras, a faixa etária com mais votantes é a de 40 aos 44 anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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