Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Saúde

Dermatite atópica pode afetar sono, saúde mental e convívio social

Doença inflamatória causa coceira intensa, feridas e impactos na rotina; diagnóstico é clínico e tratamento depende da gravidade.

Dermatite atópica pode afetar sono, saúde mental e convívio social

A dermatite atópica é uma doença inflamatória e crônica que pode comprometer mais do que a pele. A coceira intensa, principal sintoma, pode provocar feridas, dor, prejuízos ao sono, afastamento social e impactos na saúde mental e na autoestima.

A estudante de medicina Clara Emery, 23 anos, convive com a doença desde a infância. Em crises mais graves, teve feridas que deixavam a pele em carne viva e precisou tomar antibiótico para evitar infecções. Deitar, encostar a cabeça no travesseiro e tomar banho se tornaram atividades dolorosas. “Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer”, relatou.

A doença costuma atingir áreas de dobra, como a parte posterior dos joelhos, os cotovelos e o pescoço. Em Clara, também aparece ao redor dos olhos, no rosto e nas mãos. Ela identifica como possíveis gatilhos alimentos, sol, grama, suor, fungos, ácaros, tapetes, objetos de pelúcia e o contato com cães e gatos. O estresse também intensificou as crises em diferentes fases da vida.

A estudante conta que passou por isolamento social e situações de preconceito. Na escola, aos 10 anos, foi questionada se tinha hanseníase, sífilis ou HIV. Atualmente, faz tratamento imunobiológico, que atua no sistema imune e ajuda a controlar as crises mais graves. O custo de uma caixa passa de R$ 10 mil, mas, no caso dela, é coberto integralmente pelo plano de saúde. Antes disso, Clara havia usado corticosteroides, pomadas, hidratantes e tentado medidas homeopáticas.

Efeitos na rotina e no convívio

A dermatologista Rosana Lazzarini afirma que a coceira intensa pode prejudicar o sono e reduzir o rendimento no trabalho e na escola. Segundo a médica, 40% das crianças com dermatite atópica continuarão convivendo com a doença na vida adulta.

Embora não seja contagiosa, a condição pode gerar estigma por causa das marcas visíveis. O afastamento de atividades sociais, a perda de aulas, as consultas frequentes e as internações podem afetar o desenvolvimento psicossocial das crianças. A doença também pode estar associada a distúrbios do sono, depressão e isolamento social, de acordo com Roberto Takaoka, presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA).

O Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica é celebrado em 23 de setembro. A data foi oficializada no Brasil pela Lei 14.916/24. A AADA mantém grupos de apoio para pacientes e familiares, produz materiais educativos e realiza campanhas e podcasts sobre a doença.

A jornalista Rayane Lopes, 34 anos, moradora do Recanto das Emas, no Distrito Federal, teve a primeira crise aos 18 anos. As lesões atingiram o corpo inteiro, incluindo a virilha e a barriga. Hoje, quando surgem, aparecem principalmente na barriga e entre os dedos das mãos.

Rayane relaciona o surgimento das manchas e da coceira a períodos de estresse. Depois do enterro de uma pessoa próxima, teve o corpo coberto por manchas avermelhadas e feridas. Para controlar os sintomas, evita usar bucha no banho, hidrata a pele com frequência e, quando a crise se intensifica, toma corticosteroide. Ela também evita roupas que deixem as manchas expostas e a exposição ao sol.

Diagnóstico e tratamento

Rosana Lazzarini, médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que não existe uma causa única definida. Fatores genéticos relacionados à asma e à rinite, além de fatores ambientais e imunológicos, podem contribuir para a manifestação da doença.

O diagnóstico é clínico. A avaliação considera as lesões, a duração da doença, a alternância entre períodos com sintomas e fases com poucas ou nenhuma lesão, além da coceira de difícil controle. Exames podem ser solicitados para complementar a investigação ou afastar outras condições.

O tratamento inclui cuidados para preservar a barreira da pele, com cremes e loções hidratantes. O banho deve ser rápido, não quente e usar pouco ou nenhum sabonete. A hidratação pode ser necessária de 2 a 3 vezes ao dia, o que aumenta o custo para as famílias.

Dependendo da gravidade, podem ser usados medicamentos para controlar a coceira, corticosteroides tópicos, imunossupressores orais, como metotrexato ou ciclosporina, e fototerapia com UVB de banda estreita. Casos graves também podem exigir medicamentos específicos de alto custo, indicados quando outras tentativas não funcionam. Esses medicamentos mais modernos ainda não estão disponíveis no SUS e são oferecidos apenas na rede privada de saúde.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.