Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Guto Parente mistura luto, humor e bastidores do cinema em novo filme

Em “Morte e Vida Madalena”, diretor acompanha uma produtora grávida que tenta concluir a obra deixada pelo pai.

Guto Parente mistura luto, humor e bastidores do cinema em novo filme

A relação entre trabalho, luto e criação está no centro de Morte e Vida Madalena, novo longa de Guto Parente. O filme estreou nesta quinta-feira, 17, em circuito nacional e acompanha Madalena (Noá Bonoba), produtora grávida de oito meses que tenta finalizar um projeto de ficção científica iniciado pelo pai, recém-falecido.

A protagonista enfrenta, ao mesmo tempo, dificuldades profissionais e pessoais. A produção do filme dentro do filme se torna parte da própria dramaturgia, ao expor os obstáculos de realizar cinema independente com poucos recursos e fora do eixo Rio-São Paulo.

Uma carreira construída em coletivo

Parente nasceu em Fortaleza em 1983 e integrou o coletivo de artistas Alumbramento entre 2008 e 2016. Desde 2012, é sócio da produtora Tardo Filmes, ao lado de Ticiana Augusto Lima. O diretor também realizou sete curtas-metragens e chegou ao 11º longa com uma trajetória marcada pela permanência de colaboradores em diferentes projetos.

O elenco de Morte e Vida Madalena reúne Noá Bonoba, Nataly Rocha, Tavinho Teixeira, Marcus Curvelo e Carlos Francisco, entre outros profissionais que já trabalharam com o diretor. Para Parente, essas relações são parte da maneira como seus filmes são feitos. “Eu só fiz tudo o que já fiz porque sempre estive muito bem acompanhado”, afirmou.

A dimensão dos projetos mudou ao longo do tempo, mas o diretor diz identificar elementos comuns entre eles, como liberdade estética, ousadia narrativa e o envolvimento das equipes. Doce Amianto, de 2011, teve orçamento de R$ 20 mil; Inferninho, de 2016, foi realizado com R$ 120 mil; e o novo longa, de 2024, contou com R$ 2 milhões.

A première mundial ocorreu na competição internacional do FIDMarseille, na França. Entre os trabalhos anteriores de Parente estão Estrada para Ythaca, Os Monstros, A Misteriosa Morte de Pérola, Inferninho, O Clube dos Canibais e Estranho Caminho, premiado em Tribeca como melhor filme, melhor roteiro, melhor fotografia e melhor performance.

Humor sem apagar o drama

O diretor combina comédia, drama, fantasia e terror sem separar rigidamente esses registros. Em Morte e Vida Madalena, situações absurdas convivem com a dor da personagem, mas o humor não é dirigido contra ela. Parente afirma que o riso não recai sobre a forma de falar, o sotaque ou os trejeitos de Madalena.

A mistura entre leveza e desconforto também se relaciona à experiência cearense que o diretor identifica em sua formação. Segundo ele, o humor pode coexistir com situações difíceis sem transformar o sofrimento da protagonista em motivo de piada.

Parente diz ainda que não parte de temas definidos, como morte ou família, para começar a escrever. Na avaliação dele, essas questões aparecem depois, a partir das personagens e da história. O novo filme, contudo, se aproxima de seu próprio cotidiano ao tratar das relações de trabalho e das dificuldades de produzir cinema independente.

Mesmo após 11 longas, o diretor afirma que cada projeto mantém uma dimensão de descoberta. Ele terminou recentemente as filmagens de uma produção com orçamento superior à soma dos 11 filmes anteriores, mas diz ter preservado a sensação de fazer cinema pela primeira vez. “O aprendizado nunca para”, declarou.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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