Mudanças no comportamento dos cães podem indicar desconforto físico, estresse ou alterações nutricionais. No Dia do Cachorro, celebrado em 4 de outubro, sinais como perda de interesse por brincadeiras, dificuldade para usar escadas, ingestão de fezes e reações intensas a ruídos devem ser observados pelos tutores.
Isoladamente, essas alterações não permitem identificar uma doença. Para entender o que ocorre, o médico-veterinário considera a frequência e a duração dos sinais, além da presença de outros sintomas. A médica-veterinária Farah Ramalho afirma que coprofagia, dificuldade de mobilidade, baixa disposição e manifestações de estresse têm causas variadas e precisam de avaliação individual, principalmente quando persistem ou aparecem com outros sinais clínicos.
Sinais que exigem atenção
A ingestão de fezes, chamada de coprofagia, pode estar relacionada a fatores digestivos, nutricionais, ambientais ou comportamentais. Verminoses, má digestão, falta de estímulos e condições de higiene estão entre as possibilidades. Perda de peso, diarreia persistente e mudanças no apetite ou nas fezes reforçam a necessidade de investigação. Recolher os dejetos, manter o espaço limpo, oferecer atividades e evitar punições podem ajudar no manejo.
A redução do interesse por brincadeiras também merece observação. Idade e alimentação influenciam os níveis de energia, mas alterações metabólicas, hormonais e outras condições de saúde podem produzir o mesmo comportamento. Mudanças de peso, apetite ou aspecto da pelagem devem ser observadas em conjunto.
Evitar escadas, demorar para se levantar, ter dificuldade para caminhar ou brincar menos pode estar relacionado a desconfortos articulares, e não apenas ao envelhecimento. A doença articular degenerativa provoca dor e pode limitar os movimentos progressivamente. Controle do peso, exercícios adequados e acompanhamento periódico ajudam a preservar a mobilidade.
Fogos de artifício, tempestades e outros ruídos podem causar medo. Tremores, respiração acelerada, salivação excessiva, inquietação, postura encolhida e tentativas de fuga indicam uma reação mais intensa. Em episódios frequentes, pode ser necessária avaliação veterinária e acompanhamento comportamental. Um espaço protegido, com menos ruídos e rotina preservada, pode ajudar.
Mudanças persistentes no apetite ou no peso, especialmente com falta de energia ou alterações na pelagem, também devem ser investigadas. Elas podem estar ligadas à nutrição ou a problemas metabólicos, hormonais e dermatológicos. A alimentação não deve ser alterada nem suplementos oferecidos por conta própria. “Os suplementos não substituem uma alimentação completa e balanceada nem os tratamentos prescritos”, alerta Farah Ramalho.



