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PF identifica pedido de Daniel Vorcaro para derrubar publicação de contadora

Ana Raquel Ribeiro teve o perfil suspenso dias após o banqueiro pedir a um aliado que retirasse um vídeo sobre uma festa.

PF identifica pedido de Daniel Vorcaro para derrubar publicação de contadora
Foto: Reprodução/BBC News Brasil

A Polícia Federal identificou uma conversa em que Daniel Vorcaro pede a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão que retire do Instagram uma publicação feita pela contadora Ana Raquel dos Santos Ribeiro. O vídeo mostrava uma festa realizada na boate Madame Club, conhecida como Madame Satã, em São Paulo.

A publicação foi feita em 1º de novembro de 2023. Dois dias depois, Vorcaro encaminhou o link a Mourão e escreveu: “Derrubar esse”. Na sequência, esclareceu que queria retirar apenas o conteúdo, e não o perfil inteiro: “Só o post”.

Sete dias após essa conversa, a conta de Ana, @anatrackid, foi suspensa pelo Instagram. A PF, porém, não comprovou que Mourão tenha feito um pedido à Meta nem que a suspensão tenha ocorrido por causa da ordem de Vorcaro.

Suspensão do perfil

Ana havia deixado o trabalho de contadora em setembro de 2023 para se dedicar ao perfil, criado três anos antes. A conta reunia informações sobre música eletrônica, incluindo eventos, DJs, ingressos e divulgação de festas. Tinha cerca de 13 mil seguidores e alcançava mais de 425 mil contas.

A suspensão ocorreu em 10 de novembro de 2023, sem indicação de uma publicação específica ou explicação detalhada sobre a regra supostamente violada. O Instagram pediu que Ana recorresse e comprovasse que não era um robô. Depois das etapas de verificação, informou que a conta permaneceria suspensa definitivamente.

Ana entrou na Justiça em 13 de novembro de 2023 contra Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. A liminar para reativação imediata foi negada inicialmente, mas o perfil acabou restabelecido em 28 de novembro.

Na defesa, a empresa afirmou que a conta havia sido temporariamente indisponibilizada para analisar uma possível violação das políticas do Instagram. O juiz Paulo Bernardi Baccarat considerou a justificativa genérica e determinou que a conta fosse mantida ativa. A empresa também foi condenada a pagar R$ 3 mil por danos morais, além das despesas do processo e dos honorários advocatícios.

Investigação sobre o Banco Master

A conversa foi localizada durante a análise do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025 na primeira fase da Operação Compliance Zero. O aparelho originou um relatório de 126 páginas, incorporado a uma petição que tramita no Supremo Tribunal Federal.

A investigação apurava possíveis irregularidades envolvendo aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito transferidas do Banco Master para o Banco de Brasília, o BRB. O relatório também reúne situações em que Vorcaro teria pedido a Mourão o acompanhamento ou a retirada de conteúdos na internet.

Segundo a PF, Mourão atuava como executor de determinações do banqueiro. Em outros episódios, pessoas ligadas a Vorcaro teriam usado canais destinados a autoridades para tentar derrubar perfis, inclusive com documentos de aparência oficial. O documento não afirma que esse procedimento tenha sido aplicado contra Ana.

Ana afirmou que não sabia por que o perfil havia sido suspenso e que só conseguiu relacionar os fatos após a divulgação dos documentos. A Meta declarou que não comentaria o caso.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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