Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Compostos sintéticos atraem morcegos e podem apoiar restauração florestal

Pesquisa indica que aromas sintéticos podem estimular a dispersão de sementes por morcegos com menor custo e coleta de frutos.

Compostos sintéticos atraem morcegos e podem apoiar restauração florestal

Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) identificaram que compostos aromáticos sintéticos podem atrair morcegos dispersores de sementes. A estratégia pode ser uma alternativa ao uso de óleos essenciais puros em ações de recuperação de áreas degradadas.

A técnica aproveita o olfato dos morcegos frugívoros, que se alimentam de frutos. Ao sobrevoarem as áreas atraídos pelos aromas, eles carregam e eliminam sementes nas fezes, contribuindo para a chamada chuva de sementes e para a regeneração da vegetação.

Testes com aromas sintéticos

O método começou a ser estudado em 2003, com óleos essenciais extraídos de frutos consumidos por esses animais. Os pesquisadores observaram forte atração de morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira por aromas associados a plantas dos gêneros Ficus, Piper e Solanum.

Nos últimos seis anos, a equipe analisou partes desses óleos e substâncias produzidas artificialmente. Sandra Mikich, da Embrapa Florestas, afirmou que compostos sintéticos disponíveis no mercado tiveram efeito semelhante ao dos óleos naturais quando usados em pequenas quantidades.

A abordagem utiliza semioquímicos, substâncias capazes de transmitir sinais químicos e influenciar o comportamento de organismos. Para Lays Cherobim, da PUC-PR, o uso desses compostos reduz a necessidade de coletar frutos silvestres. “Muitas vezes, 500 gramas de frutos rendem apenas algumas gotas de óleo natural”, disse.

Possível redução de custos

A alternativa é apresentada como complementar ao plantio de mudas e pode simplificar operações de restauração. Gledson Bianconi, do IFPR, afirmou que a proposta busca aproveitar processos naturais de dispersão e diminuir a dependência exclusiva da produção de mudas.

A pesquisa também considera o cenário da Mata Atlântica, bioma fragmentado cuja cobertura original remanescente é estimada em cerca de 12,4%, conforme o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os resultados estão reunidos na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes. Cherobim destaca que o cultivo de mudas envolve coleta de sementes, germinação em estufa, acompanhamento do desenvolvimento e plantio, etapas que podem tornar o processo mais longo e custoso.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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