Belo Horizonte, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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CEO da Cargill pede dragagem para preservar hidrovias de grãos

Paulo Sousa afirmou que a manutenção dos rios é necessária para evitar perdas no transporte de grãos durante períodos de seca e baixo calado.

CEO da Cargill pede dragagem para preservar hidrovias de grãos
Foto: Divulgação

A dragagem de rios deve ser adotada para preservar a navegabilidade das hidrovias usadas no transporte de grãos, afirmou Paulo Sousa, CEO da Cargill Brasil. A avaliação ocorre diante da previsão de seca e altas temperaturas associadas a um El Niño ativo em 2026, condições que podem reduzir ainda mais o nível dos rios.

A hidrovia é usada para levar a produção do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte. No rio Tapajós, porém, o governo federal decidiu não realizar, neste momento, a dragagem de manutenção no trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará. A decisão foi tomada após avaliação de informações técnicas, diálogo entre órgãos públicos e consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais da região.

“Hidrovia tem que ser dragada”, disse Sousa durante evento do Bradesco BBI, realizado em 10/9. Ele citou como exemplos o rio Mississippi, nos Estados Unidos, o rio Danúbio, na Europa, e os canais de acesso ao porto de Londres. Na avaliação do executivo, o transporte hidroviário pode ser mais competitivo porque exige menos investimentos, mas depende de manutenção e de intervenções realizadas dentro das regras ambientais.

A MoveInfra estima que até 5 milhões de toneladas de grãos podem deixar de ser transportadas pelo Tapajós se a dragagem não ocorrer. A Casa Civil informou que, em caso de necessidade de deslocar cargas maiores, há fluxo rodoviário regular e planos para intervenções nas estradas, permitindo o aumento do número de caminhões. Para a entidade, essa alternativa pode elevar o custo do frete em até R$ 850 milhões para o setor agrícola.

Risco de redução no transporte

Sousa disse que a Cargill ainda utiliza as hidrovias, mas demonstrou preocupação com o Tapajós e o Madeira. Segundo ele, os rios só devem voltar a subir com as chuvas de dezembro. O temor é a repetição de uma paralisação completa ocorrida dois ou três anos atrás, quando o baixo calado interrompeu o transporte de cargas no Norte.

Com a redução da profundidade, a quantidade de carga colocada nas barcaças pode cair a um nível que deixa de compensar o consumo de combustível. Se o transporte hidroviário ficar inviável, a alternativa da Cargill será levar as cargas de caminhão até o porto de Santarém, no Pará. O percurso tem 200 e poucos quilômetros de rodovia e é menos eficiente que a hidrovia, mas permitiria manter a operação.

O executivo também mencionou a ocupação de um terminal da companhia em Santarém por comunidades indígenas em fevereiro deste ano. Os protestos eram contrários à dragagem de rios na Bacia Amazônica. Sousa afirmou que a Cargill apoia a manutenção das hidrovias, desde que as intervenções sigam as regras ambientais, e criticou o uso de invasões e violência para impedir o debate.

No rio Tocantins, as obras relacionadas ao Pedral do Lourenço envolvem o derrocamento de rochas em um trecho entre Itupiranga e Nova Ipixuna, no Pará. O projeto é alvo de disputas jurídicas e afeta uma região com mais de 20 comunidades ribeirinhas.

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que as hidrovias não estão sob responsabilidade de sua pasta. Para ele, o país precisa de mais estudos para desenvolver o modal e apresentar informações mais robustas aos órgãos ambientais. As hidrovias estão no escopo do Ministério de Portos e Aeroportos.

Santoro disse ainda que o setor começou de forma desorganizada e precisa adquirir mais maturidade. Ele defendeu estudos capazes de avaliar os efeitos da dragagem, citando o rio Paraguai e o Pantanal como exemplo.

Sousa afirmou esperar que, nos próximos cinco anos, a Ferrogrão esteja em obras e que haja avanço no Pedral do Lourenço. A expectativa é que as hidrovias possam operar com as barcaças carregadas, em vez de trabalhar com carga reduzida ou ficar paralisadas em períodos de baixo calado.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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