O El Niño previsto para a safra brasileira 2026/27 deve produzir efeitos diferentes entre regiões e culturas. Um relatório da Aon aponta maior exposição no Sul, principalmente para trigo, milho de primeira safra e soja. No Sudeste, o café concentra os riscos, enquanto parte das lavouras do Centro-Oeste pode encontrar condições mais favoráveis.
As projeções do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicam que o fenômeno deve persistir até abril de 2027. Há 95% de chance de o pico ocorrer entre outubro e dezembro de 2026, na categoria de super El Niño.
Trigo concentra risco imediato
O trigo aparece como a cultura mais exposta à rentabilidade no curto prazo. A colheita no Sul, responsável por cerca de 80% da produção nacional, estimada em 7,54 milhões de toneladas, deve coincidir com o auge do fenômeno no quarto trimestre de 2026. Entre os riscos estão germinação pré-colheita, perda de valor comercial e aumento de doenças fúngicas.
O histórico analisado pela Aon inclui o super El Niño de 2015/16, quando o trigo teve o maior volume anual de perdas da série histórica do seguro da cultura. O Rio Grande do Sul concentrou a frequência e a severidade dos sinistros, com mais de 110 dos 220 eventos registrados entre 2000 e 2021.
Na cafeicultura de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, episódios de El Niño de moderados a fortes podem provocar ondas de calor e alterações no padrão de chuvas entre o último trimestre de 2026 e o início de 2027. O estresse térmico e hídrico durante a florada e o enchimento dos grãos pode reduzir o rendimento. O relatório menciona quedas de 20% a 30% na produção em municípios afetados por episódios anteriores e perdas de receita superiores a R$ 1 bilhão em algumas temporadas.
Soja, milho e logística
Para a soja, o risco tende a ser regionalmente compensado. No Rio Grande do Sul, pode haver maior exposição ao encharcamento entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027. Já o Centro-Oeste, liderado por Mato Grosso, tende a registrar chuvas de verão mais regulares, favorecendo a produtividade média nacional.
No milho, a primeira safra do Sul enfrenta maior risco, com floração sujeita ao pico de instabilidade e ao granizo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. A safrinha terá a fase reprodutiva mais sensível entre abril e maio de 2027, quando o fenômeno tende a perder força.
No Norte e no Nordeste, a Aon alerta para impactos sobre infraestrutura e produtividade, com estiagem de junho a março, possibilidade de alta de até 40% nas queimadas em relação à média histórica e atenção ao transporte de grãos pelo Arco Norte.



