A dívida das pessoas físicas no sistema financeiro cresceu 90,2% entre julho de 2021 e julho passado, passando de R$ 2,44 trilhões para R$ 4,64 trilhões. O avanço superou o crescimento da massa de rendimentos efetivamente recebida, que acumulou alta de 79,3% em 12 meses, diante de uma variação de 31,45% do IPCA.
No mesmo período, a dívida bruta do governo central aumentou cerca de 61%. A expansão do crédito às famílias também foi influenciada pelos juros, em um processo que contribui para limitar a eficácia da política monetária e exige taxas elevadas para controlar a inflação.
Os dados mais recentes do Banco Central mostram que os juros cobrados de pessoas físicas estão em 37,4% ao ano. Na modalidade de recursos livres, negociada entre bancos e clientes sem interferência do governo, as taxas chegam a 60% ao ano. Já nos recursos direcionados, cujas taxas são reguladas e, em alguns casos, subsidiadas, os juros ficam em até 11,5% ao ano, abaixo da Selic.
O endividamento das famílias alcança 49,8% da renda anual, próximo do recorde de 49,9% registrado em julho de 2022. As prestações comprometem 29% da renda familiar, o maior nível da série histórica. A inadimplência da carteira de crédito das pessoas físicas também está no ponto mais alto da série.
O Banco Central manifestou preocupação com o nível de endividamento. O Decreto n.º 3.088, de 21/6/1999, que criou o regime de metas de inflação, atribui à instituição a execução das políticas necessárias para o cumprimento da meta. A redação foi mantida no Decreto n.º 2.079, de 26/6/2024.
A gestão do crédito é apresentada como uma ferramenta que poderia ser incorporada à atuação do Banco Central. A normatização do crédito está sob responsabilidade do Ministério da Fazenda, o que permite estímulos à economia e, ao mesmo tempo, pode enfraquecer a política monetária e ampliar o comprometimento futuro das famílias.



