Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Juros consomem 18,5% da receita do governo dos Estados Unidos

Pagamento líquido de juros chegou a US$ 1,25 trilhão em 2025, enquanto projeções indicam aumento da pressão sobre as contas públicas.

Juros consomem 18,5% da receita do governo dos Estados Unidos
Foto: Tierney L. Cross/NYT

Em 2025, o governo dos Estados Unidos destinou 18,5% de sua receita ao pagamento líquido de juros da dívida pública, segundo análise da gestora de investimentos Doubleline. O percentual superou o recorde de 18,4% registrado em 1991 e correspondeu a US$ 1,25 trilhão — valor superior a todo o orçamento de defesa de 2026.

A dívida pública americana chega atualmente a US$ 40 trilhões. Com uma parcela cada vez maior da arrecadação comprometida com juros, o governo tem menos flexibilidade para direcionar recursos a infraestrutura, educação e outros setores associados ao crescimento. O aumento das despesas também pode levar à contratação de novos empréstimos para cobrir os próprios juros.

Dados da The Kobeissi Letter, com base em informações do Escritório de Orçamento do Congresso, mostram que as despesas com juros, como proporção da receita, triplicaram desde 2015. A projeção é de que essa participação alcance 25% até 2036.

Pressão sobre os títulos do Tesouro

A Doubleline diferencia o cenário atual do observado em 1991. Naquele período, a economia americana se recuperava de uma recessão e dos choques do petróleo relacionados à Guerra do Golfo. A demanda por títulos mantinha os rendimentos dos papéis do Tesouro de 30 anos em cerca de 8%, abaixo dos mais de 10% registrados nas décadas anteriores.

Agora, a dívida é maior e o governo enfrenta também a concorrência de empresas de tecnologia pelos recursos disponíveis no mercado. Gigantes da inteligência artificial emitiram US$ 225 bilhões em títulos no primeiro semestre de 2026. Parte dos investimentos pode ampliar a dívida nacional, já que esses gastos são dedutíveis do imposto de renda.

As empresas estão recorrendo a títulos com vencimentos de 10 a 30 anos para financiar a expansão da inteligência artificial. Esse movimento reduz o capital disponível para os títulos do Tesouro e pressiona o governo a oferecer rendimentos mais altos para manter a demanda pelos papéis.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, dobrou o volume de recompras de títulos de 10 a 30 anos, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. Para analistas da Doubleline, a medida aproximou a gestão de caixa do controle do mercado.

“A crise da dívida dos EUA está em território desconhecido”, escreveu a Kobeissi Letter. Os analistas da Doubleline afirmaram que as despesas líquidas com juros já alcançaram participação recorde na receita, enquanto o Tesouro continua financiando déficits elevados em um mercado com forte demanda privada por capital.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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