O Reforma Casa Brasil liberou R$ 4,1 bilhões em financiamentos para reformas de moradias de famílias de baixa renda, distribuídos em 155,1 mil contratos. Os dados são do Ministério das Cidades. O valor representa 10% do orçamento total de R$ 40 bilhões previsto para o programa.
A contratação ganhou ritmo depois que Luiz Inácio Lula da Silva criticou o andamento da iniciativa e a atuação da Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão dos financiamentos. Lula afirmou que o programa “não anda” e disse que a burocracia não acompanha o tempo de quem precisa dos recursos.
Ao discursar em Taboão da Serra (SP), no início de agosto, o presidente também mencionou dificuldades enfrentadas por pessoas com terrenos sem documentação regularizada. O evento marcou os 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e contou com a participação de Guilherme Boulos.
Mudanças nas condições
Lançado em outubro de 2025, o programa oferece empréstimos com juros reduzidos para a compra de materiais, contratação de mão de obra e elaboração de projetos por arquitetos, engenheiros e profissionais semelhantes. A iniciativa não exige nota fiscal dos produtos e serviços.
Em maio, depois de os empréstimos alcançarem R$ 1,3 bilhão, o governo alterou as regras de acesso. O limite de renda familiar subiu de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil, enquanto a taxa mínima caiu de 1,17% para 0,99% ao mês. O prazo máximo passou de 60 para 72 meses.
Os financiamentos chegaram a R$ 2,7 bilhões em julho, o dobro do registrado em maio, e atingiram R$ 4,1 bilhões um mês depois.
Lojistas de materiais de construção demonstraram frustração com a lentidão inicial. Empresários avaliam que a ausência de nota fiscal e a exigência apenas de fotos do antes e depois podem abrir espaço para o uso do dinheiro em outras finalidades, como bets ou pagamento de dívidas.
Economistas também ponderam que parte dos empréstimos pode apenas substituir outras fontes de financiamento, sem representar um impulso adicional integral para a economia.



