O agronegócio brasileiro enfrenta um conjunto de dez pressões que afetam custos, produtividade, exportações, crédito e margens. Entre elas estão a situação fiscal do governo federal, os juros elevados, os riscos climáticos e a instabilidade geopolítica.
A dívida pública deve chegar a 87% do PIB no ano que vem e, na trajetória atual, pode superar 100% nos próximos anos. O rompimento do arcabouço fiscal envolve gastos acima do teto que somam mais de R$ 160 bilhões. Ao mesmo tempo, o gasto público corresponde a 47% do PIB, enquanto a carga tributária alcança 34%.
A Selic chegou a 15% neste ciclo, elevando o custo do custeio, dos investimentos e da renegociação de dívidas de produtores e empresas rurais. No clima, o Super El Niño é associado a secas, ondas de calor e perdas de produtividade. A anomalia de temperatura no Oceano Pacífico já supera +2,5°C.
Pressões sobre custos e receitas
A valorização do real reduz a receita dos exportadores, mesmo quando os preços em dólar permanecem firmes. No cenário internacional, os tarifaços de Trump, a disputa comercial entre Estados Unidos e China e os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio fragmentam rotas e mercados, aumentando a volatilidade.
Diesel, fertilizantes e fretes mais caros pressionam o setor, que tem alta dependência de importações. O petróleo está na faixa de US$ 90 por barril. A crise no Estreito de Ormuz, os juros elevados e os efeitos climáticos também pressionam custos, transporte e oferta de alimentos. A FAO projeta alta nos preços dos alimentos.
As cotações internas de grãos e açúcar recuaram com safras recordes de soja e milho e a oferta global abundante. Como os custos subiram, as margens dos produtores foram comprimidas.
Crédito, seguro e segurança jurídica
O novo Plano Safra ampliou o volume total de recursos, mas reduziu o crédito equalizado para a agricultura empresarial. O seguro rural cobre apenas 6% da área cultivada, proporção considerada insuficiente diante dos riscos climáticos.
Os pedidos de recuperação judicial no agro cresceram mais de 60% em doze meses. O setor também enfrenta disputas fundiárias relacionadas ao marco temporal, licenciamentos pendentes, invasões de terras produtivas, a proibição da dragagem de rios na Amazônia e disputas tributárias que dificultam o crédito e o investimento.
Entre as medidas apontadas para um novo ciclo estão a disciplina fiscal, a gestão dos riscos climáticos e de preços, a abertura de mercados, a agregação de valor, a redução das vulnerabilidades, a revisão da política agrícola e o reforço da segurança jurídica.



