A Deloitte prevê aumento de fusões e aquisições no agronegócio durante a safra influenciada pelo El Niño. A avaliação considera os impactos do fenômeno sobre a produção e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor, como juros elevados, restrição de crédito, endividamento e preços menores para algumas commodities.
No mercado brasileiro, foram registradas R$ 3,2 bilhões em 14 operações de M&A até agosto, crescimento de 26%. Para Adilson Martins, sócio-líder da Deloitte para o agronegócio, a combinação desses fatores aumenta a vulnerabilidade dos produtores, especialmente no Sul, e pode levar à reorganização de segmentos como o de insumos e o sucroenergético.
Investimentos e sucessão familiar
A redução dos investimentos no campo, associada ao aumento dos custos de produção e à queda da renda, também pode abrir espaço para a consolidação da cadeia. Martins afirma que a prioridade será preservar as despesas operacionais, deixando novos investimentos em segundo plano.
A sucessão familiar é outro fator apontado pela consultoria. Com idade média de 46 anos, os produtores brasileiros convivem com a chegada de novas gerações, mais abertas ao uso de tecnologia e a modelos de governança. Esse processo pode modificar relações tradicionais, como na citricultura, onde contratos baseados em vínculos pessoais podem dar lugar a decisões financeiras e a novas formas de negociação, vendas e aquisições.
A Sell Agro, que fabrica produtos destinados a melhorar a fixação de defensivos agrícolas nas plantas, planeja investir R$ 50 milhões até o fim do ano. O projeto prevê um centro de distribuição em Rondonópolis (MT) e o início das operações no Paraguai, com aporte de R$ 5 milhões. O faturamento no país deve começar em cerca de 60 dias, após o registro dos produtos.
Leandro Viegas, CEO da empresa, afirma que a meta para 2026 é alcançar R$ 90 milhões em faturamento, alta de 15% sobre 2025, sem incluir o Paraguai. A companhia está em processo de transição para uma holding e de criação de um conselho de administração. Embora priorize o crescimento orgânico com reinvestimento de lucros, a nova estrutura poderá permitir a participação em movimentos de consolidação.
A Vibra também ampliou sua presença no agronegócio: os pontos de distribuição do diesel Agritop passaram de 10 para 25. As unidades ficam no Centro-Oeste, no Sudeste e no Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e têm capacidade para armazenar 310 milhões de litros. Mais de 80 empresas do setor usam o combustível, segundo a companhia.



