Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Eucalipto para etanol de milho pode exigir até R$ 14,3 bilhões em Mato Grosso

Projeção do Itaú BBA considera a substituição da biomassa nativa e a expansão da produção estadual até 2030.

Eucalipto para etanol de milho pode exigir até R$ 14,3 bilhões em Mato Grosso

A expansão da produção de etanol de milho em Mato Grosso pode exigir investimentos de R$ 7,6 bilhões a R$ 14,3 bilhões em florestas de eucalipto nos próximos anos. A estimativa é do Itaú BBA e considera que as usinas precisarão usar essa fonte de biomassa para gerar energia e queimar combustível em suas caldeiras.

O cálculo está relacionado ao acordo firmado em junho entre o Ministério Público estadual e o setor, que prevê o encerramento, até 2035, do uso de madeira de floresta nativa por agroindústrias de alta intensidade. A necessidade de novos plantios dependerá da eficiência das unidades de cogeração e do volume de etanol produzido.

Três cenários para a expansão

No cenário considerado conservador, com equipamentos de cogeração menos eficientes, a produção projetada para 2030 chega a 12 bilhões de litros. Para atender a esse volume, seriam necessários cortes anuais em cerca de 82 mil hectares de eucalipto.

Como a árvore leva sete anos até a primeira colheita, o Estado teria de acumular 572 mil hectares plantados até 2028. O levantamento mais recente do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária indica que Mato Grosso possuía 165 mil hectares cultivados com a espécie até o fim do ano passado. A diferença levaria a um investimento estimado em R$ 14,3 bilhões.

O Itaú BBA calculou um custo médio de R$ 35 mil por hectare em um ciclo de 13 anos. A conta inclui o plantio inicial, a manutenção e dois cortes: o primeiro aos sete anos e o segundo seis anos depois.

No cenário-base, com eficiência energética intermediária, a área necessária cairia para 440 mil hectares, com cortes anuais em 63 mil hectares. O investimento estimado seria de R$ 9,6 bilhões. Se toda a expansão ocorrer com unidades de alta eficiência, que produzem mais energia com menos biomassa, o valor recuaria para R$ 7,6 bilhões.

Área atual e condições de investimento

Considerando apenas as usinas já instaladas, que somam capacidade de 8 bilhões de litros por ano, seriam necessários 383 mil hectares de eucalipto e cortes anuais em 37 mil hectares caso toda a biomassa usada atualmente fosse substituída pela madeira cultivada. Essa área é mais de duas vezes superior à extensão plantada em todo o Estado, segundo o Imea.

O Ministério Público e especialistas afirmam que a diferença tem sido coberta com madeira de vegetação nativa. César Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA, disse que parte da demanda futura por eucalipto surgirá porque as usinas não poderão mais utilizar madeira obtida com supressão florestal. Ele também classificou o uso desse material como “um detrator da manutenção do bom status de carbono do etanol de milho brasileiro”.

A avaliação do banco aponta que ainda não há linhas de financiamento em escala para a expansão da cultura. A produtividade também pode alterar o capital necessário: no cenário de menor eficiência, foi considerada uma média de 30 metros cúbicos de madeira por hectare, mas os resultados observados podem variar de 15 metros cúbicos a 40 metros cúbicos por hectare.

O preço da madeira e a taxa Selic também influenciam a decisão de plantar. Nas projeções do Itaú BBA, um cultivo iniciado hoje, com a madeira avaliada perto de R$ 150 por metro cúbico, poderia gerar remuneração equivalente a 30 sacas de soja por hectare e taxa interna de retorno de 17%, acima do retorno mínimo associado à Selic, de 14%.

Para Alves, a proximidade entre os plantios e as usinas tende a favorecer a atratividade econômica. “Se [o eucalipto] estiver muito longe, a usina paga menos pela madeira”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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