MATO GROSSO — Mato Grosso completará, em 2026, trinta anos sem registro de febre aftosa. O último foco ocorreu em 1996. Desde então, a defesa sanitária passou a fazer parte da rotina das propriedades, com ações de vigilância e prevenção e participação dos produtores.
Em 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu Mato Grosso como livre da doença sem vacinação. A vacina havia sido suspensa em 2023. Em 29 de maio de 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) concedeu ao Brasil o mesmo reconhecimento.
A febre aftosa é uma doença viral que pode atingir bovinos, bubalinos, suínos, ovinos e caprinos. Em bovinos, os sinais incluem febre, perda de apetite e lesões na boca e nos cascos. A enfermidade também pode causar perda de peso e dificuldade de locomoção, além de ser fatal para animais jovens.
Um foco pode provocar restrições à movimentação e à comercialização de produtos de origem animal, com impacto sobre produtores e indústria. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, “trinta anos é um marco que demonstra a importância do trabalho contínuo de todos os envolvidos na defesa sanitária”.
Prevenção e comércio
Mesmo com o novo status sanitário, a identificação de sinais compatíveis com a doença e a comunicação aos serviços oficiais de defesa agropecuária continuam sendo medidas de prevenção. Marcos Carvalho, assessor técnico em Pecuária da Famato, afirmou que “as boas práticas sanitárias precisam ser continuamente aprimoradas”.
O Sistema Famato oferece suporte aos produtores em ações de sanidade animal e pecuária. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) realiza capacitações sobre vacinação e manejo do rebanho, além de oferecer Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).
O reconhecimento também é importante para o acesso a mercados com exigências específicas sobre a origem dos produtos. Entre os mercados abertos está o das Filipinas, para carne suína e bovina com osso e miúdos de Mato Grosso.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que, entre janeiro e agosto de 2026, o estado exportou 665,91 mil toneladas de carne bovina, o equivalente a 25,77% das exportações brasileiras. A receita foi de US$ 3,16 bilhões. As exportações de carne suína somaram 32,36 mil toneladas, com receita de US$ 66,68 milhões.



