Belo Horizonte, Sábado, 3 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Agro

Limão tahiti sobe até 374% no atacado durante a entressafra

Baixa oferta, chuvas e aumento da demanda elevaram os preços no Ceagesp e na CeasaMinas – Grande BH.

Limão tahiti sobe até 374% no atacado durante a entressafra
Foto: Ceagesp/Divulgação

O preço do limão tahiti disparou no atacado durante a entressafra, com alta de 374% no Ceagesp e de 240% na CeasaMinas – Grande BH. A elevação está relacionada à redução da oferta, causada principalmente por chuvas que prejudicaram a florada, a qualidade comercializável e a formação da próxima safra.

No maior entreposto do país, o quilo do limão passou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no fim de setembro. Na CeasaMinas – Grande BH, a cotação subiu de R$ 2,50 para R$ 8,50.

Produção e oferta

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, a caixa de 27,2 kg paga ao produtor passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho e R$ 104,78 em agosto. A alta acumulada foi de 226,4%. Na comparação entre agosto deste ano e agosto de 2025, o preço ficou 71% maior no ano corrente.

A Conab explica que a safra costuma atingir o pico em janeiro e fevereiro. A produção diminui em março e abril, enquanto a entressafra começa no fim de maio e normalmente se estende até meados de setembro, quando a nova safra começa a chegar.

O excesso de chuvas no começo do ano, acompanhado por mais dias nublados, aumentou a quantidade de frutas mais claras e dificultou a colheita. A principal florada destinada a reforçar a oferta no segundo semestre ocorreu em julho, mas foi afetada por chuvas acima da média em Matão e Bebedouro. A expectativa é de que essa florada gere volume relevante a partir de meados de novembro.

Bebedouro e Matão concentram aproximadamente 68% da área de produção de limões e limas do cinturão. O limão tahiti representa 88% dos frutos produzidos. Limeira, Votuporanga e São José do Rio Preto também são áreas produtoras, embora com menor relevância.

A oferta ainda é disputada pelos mercados interno e externo. Cerca de 11% da safra é vendida principalmente para a Europa. Além disso, o calor em agosto e setembro elevou a demanda interna.

A normalização dos preços é esperada para o fim do ano, com a chegada da nova safra. Na última semana, as cotações no Ceagesp começaram a cair, mas ainda não é possível afirmar que a trajetória será mantida.

O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), afirmou que o impacto climático deve se estender para o próximo ano. Também há risco para a próxima safra caso um El Niño forte no começo de 2027 eleve o calor e o déficit hídrico, afetando as plantas e a florada no fim da primavera e no início do verão. Para a Conab, porém, o fenômeno teve pouco impacto na produção deste ano e não foi o fator principal das alterações no mercado.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.