SÃO PAULO — O Brasil já tem R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados em projetos ligados aos biocombustíveis e à transição energética. O valor foi apresentado em um painel organizado pela consultoria Datagro durante o GAFFFF 2026, realizado nesta sexta-feira (2), em São Paulo.
A discussão reuniu representantes do setor e abordou o crescimento da demanda global por energia, a abertura de mercados para combustíveis de menor intensidade de carbono e a integração entre as cadeias de alimentos e energia.
O deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde, afirmou que os biocombustíveis passaram a fazer parte de uma cadeia industrial mais ampla. “O biocombustível é mais do que um case isolado. É um eixo de industrialização do Brasil”, disse.
Jardim também destacou o avanço do etanol de milho e o uso de seus coprodutos na cadeia de proteínas animais. Segundo os dados apresentados por ele, cerca de 23% do milho produzido no país já é destinado à fabricação do biocombustível. Na avaliação do parlamentar, o produto pode assumir um papel relevante na formação de uma cadeia de valor para a economia brasileira.
Novos mercados
Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil, afirmou que os biocombustíveis já alcançam segmentos além do mercado tradicional de veículos leves. Entre as possibilidades citadas estão o combustível sustentável de aviação (SAF), o transporte marítimo, as máquinas agrícolas, o biogás, o biometano e o etanol.
Campos mencionou o primeiro carregamento de um navio de longo curso com uma mistura envolvendo etanol, realizado em julho, como exemplo de novas aplicações. Ele também citou o uso de biometano no transporte de açúcar, no deslocamento da cana entre o campo e as unidades industriais e em equipamentos agrícolas.
A produção de etanol de milho, praticamente inexistente no país há cerca de uma década, já representa 30% do etanol brasileiro. A expansão levou investimentos para o Centro-Oeste e para estados do Sul.
Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), defendeu que a transição energética não precisa significar a substituição imediata das fontes existentes. “Mais do que transição, é uma evolução, onde todas as energias estão entrando na matriz energética mundial”, afirmou.
Plínio Nastari, presidente da Datagro, ressaltou a criação de mecanismos para medir a intensidade de carbono dos combustíveis e transformar esse indicador em parte das estratégias de mercado. Ele citou o RenovaBio, os CBIOs e iniciativas recentes de descarbonização dos transportes.
O setor também debate como equilibrar o aumento da oferta com a abertura de mercados. Para Campos, uma possível pressão de oferta no curto prazo pode ser alterada pelo crescimento da demanda em segmentos como a aviação e o transporte marítimo.




