As exportações brasileiras de ovos, incluindo produtos in natura e processados, somaram 2,3 mil toneladas em agosto. O volume foi 9,1% maior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o país embarcou 2,1 mil toneladas, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O transporte internacional exige cuidados desde a coleta até a chegada ao destino. Uma unidade quebrada pode atingir outras e ampliar as perdas, além de afetar a reputação do produto brasileiro no mercado externo.
Distâncias e organização da carga
O Chile foi o principal destino dos ovos brasileiros em agosto deste ano, com 1,213 mil toneladas. A carga percorre aproximadamente 3 mil quilômetros até o país. O Vietnã aparece na sequência, com 275 toneladas no mesmo período, a aproximadamente 17 mil quilômetros do Brasil.
A resistência da casca é favorecida pela estrutura curva do ovo, que distribui a pressão, especialmente nas extremidades. Edival Veras, presidente do Instituto Ovos Brasil, afirma que a combinação entre essa característica, o posicionamento adequado, as embalagens e a estabilidade da carga diminui o risco de trincas e quebras.
A Granja São José, empresa do setor que atua desde 1958 em Palmital, no interior paulista, recomenda colocar a ponta fina do ovo para baixo e a parte arredondada para cima. Segundo a empresa, essa posição contribui para manter a gema mais centralizada e afastada da câmara de ar, ajudando a conservar o conteúdo interno.
Coleta, seleção e embalagem
A retirada dos ovos pode ser manual ou automatizada. Nos dois casos, os equipamentos são regulados, e os profissionais recebem treinamento para reduzir o impacto sobre as unidades, explica Veras.
O guia técnico da Embrapa destaca a higiene durante a coleta, principalmente quando ela é feita manualmente. O material orienta higienizar as mãos antes e depois da atividade e realizar a coleta com frequência, usando bandejas plásticas limpas e laváveis. A separação entre ovos limpos e sujos evita o acúmulo de sujeira na casca.
Após a coleta, as unidades passam por seleção, classificação e embalagem. O processo retira ovos trincados ou inadequados. Para Veras, o cuidado deve continuar na saída do galpão, no processamento, no armazenamento, no embarque e na chegada ao ponto de venda.
Transporte e conservação
A duração da viagem varia de acordo com a distância e o destino. Entre os principais desafios estão acomodar corretamente os volumes, prevenir impactos, vibrações e movimentos bruscos e manter condições estáveis de conservação durante o percurso.
A embalagem precisa proteger os ovos e, ao mesmo tempo, facilitar o manuseio e o empilhamento. As caixas de papelão ondulado são uma das opções usadas porque ajudam a reduzir impactos. Uma camada interna de reforço aumenta a capacidade de amortecimento das paredes da caixa.
No mercado interno, o transporte pode ocorrer em condições controladas, conforme a operação. Nas exportações, temperatura e conservação devem seguir as exigências sanitárias e comerciais do destino, com possibilidade de uso de transporte refrigerado. A capacitação dos profissionais envolvidos também faz parte da operação.
A cadeia busca manter as perdas em níveis mínimos, próximos de zero. Para isso, cada fase é monitorada, da seleção e embalagem à acomodação e ao transporte da carga.



