SÃO PAULO — A operação da barragem da Penha voltou a ser questionada após novos alagamentos atingirem a União de Vila Nova, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Moradores afirmam que a água demorou a escoar, enquanto a SP Águas nega relação entre o fechamento das comportas e as enchentes na região.
O site da SP Águas informava, na atualização das 12h de sexta-feira, que as seis comportas da barragem estavam fechadas. A informação sobre a permanência dessa condição durante a madrugada e a manhã de sábado ainda não havia sido confirmada pelo órgão responsável pela operação.
Emerson Maquiné, morador da União de Vila Nova e integrante da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), relacionou a falta de vazão à situação da barragem. “A água não tá escorrendo, não tá tendo vazão. Seguimos aqui com sofrimento, como todos os anos, e a gente quer solução”, afirmou.
Chuva e ocorrências na capital
A chuva começou na noite de sexta-feira e voltou a provocar alagamentos na zona leste neste sábado. Na União de Vila Nova, a água subiu durante a madrugada e permanecia nas ruas e em casas no fim da manhã.
Por volta das 11h, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas registrava 17 pontos de alagamento, incluindo bloqueios em trechos da Marginal Tietê. Até esse horário, setembro acumulava 148,1 milímetros de chuva, volume 124,7% superior aos 66 milímetros previstos para todo o mês.
Entre 1h40 e 5h, o Corpo de Bombeiros recebeu 11 chamados relacionados a alagamentos ou enchentes na capital e na Região Metropolitana de São Paulo. Também foram registradas seis ocorrências de queda de árvores e sete chamados por desabamento, desmoronamento ou soterramento. Quatro vítimas foram contabilizadas, sem informações sobre a natureza dos atendimentos.
Divergência sobre a barragem
Alessandro Guedes (PT), presidente da CPI do Pantanal na Câmara Municipal, disse que a operação da barragem pode proteger vias centrais e deslocar os efeitos das cheias para bairros situados a montante, como o Jardim Pantanal e a União de Vila Nova. Ele afirmou que o departamento jurídico de seu mandato avalia medidas para pedir a abertura controlada das comportas.
A CPI do Pantanal foi instalada em 4 de setembro de 2025, após determinação da Justiça, e investigou as causas das inundações no Jardim Pantanal e em bairros vizinhos. A comissão examinou a operação da barragem, as condições do sistema de drenagem e alternativas para conter o excesso de água na várzea do Tietê.
Segundo Guedes, representantes da SP Águas negaram relação entre a barragem e as enchentes, enquanto técnicos e outros órgãos ouvidos pela comissão apontaram que o represamento pode influenciar o sistema de drenagem a montante.
A União de Vila Nova está entre as áreas da várzea do Tietê atingidas de forma recorrente pelas cheias. Em 2025, o bairro enfrentou um dos episódios mais graves dos últimos anos, com água dentro de casas e comércios e perda de móveis e eletrodomésticos. Moradores também cobram manutenção e desassoreamento dos córregos e do Tietê.
Medidas anunciadas
A Prefeitura de São Paulo informou que equipes da GCM Ambiental atuavam na região com viaturas, botes e moto aquática para apoiar moradores e retirar quem desejasse deixar as residências. A administração municipal também citou ações de zeladoria e prevenção, como limpeza de bueiros, galerias e córregos, capinação, poda e retirada de resíduos.
De acordo com a prefeitura, o Plano Recupera Pantanal prevê R$ 59,8 milhões para novas galerias de drenagem e pavimentação de 10,4 quilômetros de vias. Também foi mencionada a construção de um muro de gabião de aproximadamente 845 metros ao longo das margens do Tietê, para conter ocupações em áreas de proteção ambiental e facilitar o monitoramento do local.



