A China deve habilitar novos frigoríficos brasileiros ainda em 2026 e pode autorizar a importação de miúdos bovinos, afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula. O anúncio ocorre após auditorias realizadas neste mês por autoridades chinesas e europeias em cadeias do agronegócio brasileiro.
A China aprovou quatro unidades brasileiras: duas de carne bovina e duas de frango. Foram auditadas 17 plantas, de forma remota, entre 33 unidades apresentadas pelo governo brasileiro aos chineses.
As habilitações incluem a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE), para carne bovina. No setor de frango, foram autorizadas a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).
André de Paula também afirmou que o Brasil espera avançar nas negociações para exportar miúdos bovinos. “É uma coisa que está por acontecer”, declarou.
Negociações com a União Europeia
Na relação com a União Europeia, técnicos aprovaram as garantias brasileiras de controle de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel. O resultado pode abrir espaço para a retomada das vendas desses produtos ao bloco, mas a carne bovina continua submetida a outra avaliação.
Segundo o ministro, os europeus mantêm a posição de que as exportações de carne bovina só poderão ser retomadas em pelo menos dois anos. A exigência é de garantias sobre a ausência de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.
O governo brasileiro tenta fazer com que o relatório seja votado pelo comitê técnico da Comissão Europeia, o Scopaff, o mais rapidamente possível. A próxima reunião está prevista para 20 e 21 de outubro, embora o Brasil tenha solicitado uma agenda extraordinária.
O Reino Unido, que manteve as compras de carne bovina brasileira, enviará uma missão técnica em outubro para avaliar o sistema sanitário e os controles sobre antimicrobianos. Para o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, a auditoria poderá dar respaldo técnico aos argumentos do Brasil.
No caso das aves, Goulart citou o ciclo de produção de 42 dias como exemplo da diferença em relação aos bovinos. A produção de ovos tem duração de oito meses, e uma nova auditoria europeia deverá ser marcada ao fim desse período. Os pescados também precisarão passar por nova avaliação para uma possível reabertura do mercado, fechado desde 2017.
O governo ainda discute a possibilidade de banir antimicrobianos no país, uma demanda da indústria frigorífica. O ministro afirmou que qualquer decisão será tomada com a participação dos envolvidos.
Limite para a carne bovina
André de Paula disse que não houve novas tratativas com a China para ampliar a cota de carne bovina brasileira ou utilizar volumes não preenchidos por outros países. A Administração-Geral de Alfândegas chinesa informou que o Brasil completou 100% do volume de 1,106 milhão de toneladas em 2026.
Brasil e Uruguai anunciaram um acordo para que frigoríficos brasileiros ocupem parte da cota não utilizada pelos uruguaios. A aplicação depende da aprovação chinesa.



