Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cota chinesa altera ritmo das exportações brasileiras de carne bovina

A China confirmou o limite para 2026, enquanto frigoríficos reduziram embarques e passaram a avaliar novos destinos para a produção.

Cota chinesa altera ritmo das exportações brasileiras de carne bovina

A China recebeu apenas 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, uma queda de 88,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. Com esse resultado, o país asiático deixou de ser o principal destino do produto brasileiro e passou à quinta posição.

A retração ocorreu em meio ao esgotamento da cota de importação estabelecida para 2026. A Administração-Geral de Alfândegas da China informou nesta terça-feira (29/9) que as compras brasileiras submetidas às medidas de salvaguarda alcançaram 100% do limite de 1,106 milhão de toneladas. A partir desse marco, as remessas que entrarem no mercado chinês neste ano estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%.

Efeito sobre os embarques

Os frigoríficos começaram a reduzir a produção e os embarques para a China desde julho. O transporte marítimo entre o Brasil e os portos chineses pode levar até 60 dias, e a alfândega considera a data de desembaraço da carga no país asiático. Por isso, exportadores praticamente interromperam os envios nos últimos meses para evitar que volumes acima da cota fossem sobretaxados.

O aviso de que 90% do limite havia sido atingido foi divulgado em 10 de agosto. Nos cálculos da Safras & Mercado, porém, o Brasil já havia superado a cota em meados de agosto. Nos oito primeiros meses do ano, entraram na China 1,144 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, o equivalente a 103,5% do limite, com 38,75 mil toneladas acima da cota.

No acumulado do ano, o Brasil embarcou 899,2 mil toneladas para a China, em negócios que renderam US$ 5,5 bilhões aos frigoríficos exportadores. O faturamento subiu 10,2%, enquanto o volume recuou 6%, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Possíveis alternativas

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o fim da cota não significa necessariamente a paralisação de todas as vendas. Podem ocorrer operações residuais, conforme os contratos e as condições comerciais, com o importador assumindo a diferença tarifária de 55%.

“Tivemos um impacto gigantesco nas indústrias. Julho, agosto e setembro foram meses muito difíceis”, disse Perosa em 11 de setembro. Segundo ele, os embarques para a China foram reduzidos em cerca de 90% e o produto que deixou de seguir para o país precisou buscar outros destinos.

A entidade pretende retomar com o governo federal a discussão sobre um mecanismo de controle das cotas. A proposta é que o Ministério da Agricultura administre os volumes destinados à China. Para a Abiec, a gestão antecipada seria necessária para evitar um novo esgotamento precoce em 2027. A avaliação da associação é que, mantido o ritmo histórico de exportações, a cota pode terminar em março ou abril.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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