Paquerar pode ficar mais difícil justamente quando há interesse real. A possibilidade de rejeição aumenta a tensão, e situações comuns, como trocar mensagens ou tomar um café, passam a exigir cuidado excessivo. Entre jovens da Geração Z, essa dificuldade se soma ao desafio de socializar pessoalmente depois de tanta interação por aplicativos.
Uma resposta que ganhou espaço é marcar encontros com pessoas por quem não há muita atração. A lógica é tratar essas saídas como uma forma de preparação: se a conversa não funcionar, a situação teria menos peso e serviria para desenvolver confiança antes de conhecer alguém que desperte interesse de verdade.
A ideia não é recente. Há 50 anos, alguns psicólogos já haviam demonstrado que a prática de encontros poderia ajudar no desempenho durante a paquera. A Geração Z, porém, levou o conceito para um território mais ambíguo, ao transformá-lo em uma espécie de encontro sem compromisso afetivo definido.
Uma velha estratégia com nova circulação
A proposta voltou a circular em meio à tentativa de lidar com o desconforto de interações românticas. Para quem adota esse método, o objetivo não é necessariamente iniciar um relacionamento, mas ganhar familiaridade com a conversa, reduzir a pressão e evitar que todo encontro pareça decisivo.
A estratégia também foi impulsionada pela dinâmica do TikTok, que costuma apresentar novas versões para práticas já conhecidas. Embora possa parecer estranha, a ideia encontra respaldo na psicologia porque o treino pode tornar a paquera menos intimidante.
Ainda assim, o método envolve uma questão delicada: a outra pessoa pode não saber que está sendo tratada como parte de um exercício. O que para um participante é uma oportunidade de praticar pode ser entendido pelo outro como um encontro com possibilidade real de interesse.



