Belo Horizonte, Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Imagens com estética oitentista expõem demanda física da inteligência artificial

Filtros que recriam fotos dos anos 80 dependem de servidores, eletricidade e refrigeração, com possível uso de água.

Imagens com estética oitentista expõem demanda física da inteligência artificial
Foto: Reprodução/Perfil Brasil

Filtros que recriam fotos com visual dos anos 80 colocaram em evidência a estrutura física necessária para produzir imagens por inteligência artificial. A tendência ganhou adesão de Sabrina Sato, Ana Maria Braga e Fernanda Lima e ampliou o interesse pelo tema em plataformas de busca.

Cada solicitação enviada a uma ferramenta de IA é processada em servidores instalados em data centers, explica João Paulo Batistella, especialista em tecnologia e inteligência artificial. Esses equipamentos consomem eletricidade e produzem calor. Para manter os sistemas em funcionamento, são usados mecanismos de refrigeração que também podem envolver água.

O impacto da escala

Para Batistella, a percepção de que tudo acontece dentro do celular esconde uma cadeia de processamento. Quanto mais complexa é a geração e maior é o número de pessoas usando o serviço simultaneamente, maior tende a ser a demanda por processamento, energia e refrigeração.

O efeito ambiental não está apenas em uma imagem produzida individualmente. Novas tentativas até alcançar o resultado desejado e a repetição de conteúdos virais elevam continuamente a demanda computacional. A Universidade das Nações Unidas estima que entre 80% e 90% do consumo energético da IA pode ocorrer durante o uso de modelos já treinados.

Uma imagem típica gerada por inteligência artificial pode exigir cerca de 1.450 vezes mais energia que uma tarefa básica de classificação de texto. O dado ajuda a dimensionar a diferença entre atividades realizadas pelas ferramentas, ainda que uma solicitação isolada não represente toda a demanda do setor.

Responsabilidade compartilhada

O debate não defende o abandono das tecnologias digitais, mas um uso mais consciente das plataformas. Batistella afirma que empresas desenvolvedoras precisam buscar mais eficiência e transparência, enquanto os usuários devem considerar os recursos envolvidos em cada geração.

“Não é uma questão de parar de usar inteligência artificial ou deixar de participar de uma trend”, diz o especialista. Para ele, criar dez, vinte ou cinquenta versões descartáveis tem um custo que não aparece na tela, mas está associado à infraestrutura física necessária para atender aos pedidos.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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