SÃO PAULO — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou nesta sexta-feira, 18, o ex-vereador Milton Leite por não ter se apresentado às autoridades após afirmar que faria isso. Leite é considerado foragido, depois de não ser localizado para o cumprimento de um mandado de prisão temporária.
A Polícia Civil esteve em Sorocaba, no interior de São Paulo, na manhã de sexta-feira para tentar prendê-lo. O ex-vereador, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos, é investigado na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira, 17, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
A operação apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Milton Leite é alvo do mandado de prisão temporária relacionado à investigação.
Em conversa com jornalistas, Nunes disse não ter acesso ao conteúdo dos autos, mas afirmou que a decisão judicial e o compromisso assumido pelo ex-vereador justificam a crítica. “se ele se comprometeu a se apresentar e não se apresentou, obviamente, não sou eu, qualquer pessoa tem um entendimento que não é correto”, declarou o prefeito.
Na quinta-feira, por volta das 7h, Leite havia afirmado que não estava foragido e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Depois desse prazo, ele ainda não tinha sido localizado.
Declarações anteriores e medidas na prefeitura
Um dia antes, Nunes havia dito ter “muito respeito pela história” e pela trajetória de Milton Leite, que foi vereador por mais de 20 anos. Na ocasião, afirmou que caberia ao ex-presidente da Câmara demonstrar a própria inocência no processo e que a Prefeitura daria apoio às investigações.
O prefeito também declarou que qualquer pessoa deve estar sob escrutínio da Justiça, seja uma pessoa pública ou não. Nesta sexta-feira, lamentou o episódio e afirmou que a situação deve ser tratada pelos advogados de Leite e pelo próprio ex-vereador.
Nunes disse ainda que a Prefeitura avaliava intervir na empresa de ônibus A2 Transportes, mencionada na operação da Polícia Federal. A companhia não é alvo da investigação, mas seus sócios Paulo Korek Farias e Júlio Salvador Filho são investigados.
Segundo o prefeito, a Prefeitura deu à empresa um prazo de 24 horas, e a determinação foi aceita. Com isso, um diretor foi afastado, e a administração municipal passou a acompanhar as atividades da companhia em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil.



