Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Brasil

PF apreende dinheiro e documentos em imóveis ligados a Ciro Nogueira

Relatórios liberados pelo STF registram apreensões em endereços do senador e de familiares durante a quinta fase da Operação Compliance Zero.

PF apreendeu R$ 614 mil em espécie em endereços de Ciro Nogueira na Operação Compliance Zero

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 614 mil em dinheiro vivo, convertido a partir de reais, dólares e euros, em imóveis ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a familiares. As diligências ocorreram em maio deste ano, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga relações entre agentes políticos e o Banco Master.

Os documentos da investigação se tornaram públicos depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de peças do caso. As buscas foram autorizadas pelo STF.

Em um imóvel de Ciro Nogueira em Teresina (PI), a PF encontrou R$ 31.760,00 e 14.070 euros dentro de um cofre. Na residência do senador em Brasília, onde ele estava durante a operação, foram apreendidos US$ 27.735 e 1.555 euros no escritório usado pelo ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL).

O relatório policial também descreve a existência de vinhos e uísques de alto valor, bolsas de grife, joias e relógios de luxo guardados em cofres. Os agentes encontraram ainda malas vazias com etiquetas em nome de terceiros, incluindo familiares de Ciro Nogueira. A PF registrou suspeita de que as bagagens poderiam ser usadas para transportar dinheiro em espécie.

Apreensões em imóveis de familiares

Na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador e apontado pela investigação como intermediário em negociações de vantagens indevidas pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, foram localizados 10.155 euros e US$ 55.733 em um cofre. Raimundo afirmou que se tratava de um “cofre familiar” e disse que o dinheiro correspondia a economias para viagens internacionais. Veículos de luxo e aparelhos eletrônicos também foram apreendidos.

A PF esteve ainda no endereço da ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro. Os investigadores encontraram reais, dólares e euros, mas os valores não foram retidos. O relatório considerou que as quantias eram compatíveis com a capacidade econômica da moradora e não apresentavam ligação direta com os crimes investigados no caso Master.

Com a conversão pelas taxas de câmbio atuais, as apreensões chegaram a R$ 614 mil. Na época do cumprimento dos mandados, o cálculo pelo câmbio médio apontava aproximadamente R$ 589 mil.

Documentos na churrasqueira

Na residência de Ciro Nogueira em Brasília, a PF apreendeu documentos deixados na área da churrasqueira. Uma funcionária doméstica declarou aos agentes que o senador havia determinado que os papéis fossem queimados, mas a destruição não ocorreu antes da chegada dos policiais.

Entre os materiais, havia um rascunho com o cabeçalho “Câmara”, acompanhado de nomes e anotações numéricas. O relatório menciona “Arthur”, “Hugo” e “Luizinho” como possíveis referências aos deputados federais Arthur Lira, Hugo Motta e Doutor Luizinho. A PF afirmou que os valores anotados ainda precisam ser esclarecidos durante o inquérito.

Ciro Nogueira é investigado sob suspeita de receber vantagens indevidas de Daniel Vorcaro para atuar no Congresso Nacional em favor de empresas do grupo Master. A PF também aponta que o senador teve viagens internacionais custeadas pelo banqueiro.

Em 2024, Ciro apresentou uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”. A medida pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia máxima do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As apurações também indicam atuação do senador no Senado para dificultar a coleta de assinaturas e a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o banco.

A divulgação dos relatórios ocorreu em meio a divergências no STF sobre o sigilo da investigação. Após pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao presidente da Corte, Edson Fachin, o segredo de justiça foi retirado de todas as peças. O episódio provocou críticas públicas do ministro Alexandre de Moraes à condução do sigilo.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ciro Nogueira não respondeu aos pedidos de comentário.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.