Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Brasil

São Paulo registra setembro mais chuvoso desde o início das medições

Capital paulista acumulou até 253,8 mm, superou o recorde de 1983 e ainda deve enfrentar novas frentes frias.

São Paulo registra setembro mais chuvoso desde o início das medições
Foto: Getty Images/BBC News Brasil

A cidade de São Paulo registrou o setembro mais chuvoso desde o início das séries de medição, e a previsão indica que o volume pode continuar aumentando. Até a manhã de quarta-feira (16/9), o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura contabilizou 249 milímetros de chuva, quase quatro vezes a média esperada para todo o mês, de 66 mm.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), cuja série começou em 1943, também confirmou o recorde. Até 14 de setembro, a estação do Mirante de Santana, na zona norte, registrou 253,8 mm. O acumulado superou a média histórica mensal de 83,3 mm e o recorde anterior, de 1983, quando haviam sido registrados 243,1 mm.

Além da capital, Iguape e Bragança Paulista também bateram recordes de chuva para setembro. Em Campinas, a série histórica do Instituto Agronômico aponta o maior volume já registrado no mês; o recorde anterior era de 257 mm, em 1923.

Combinação de fatores atmosféricos

A pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que um evento desse porte resulta da atuação simultânea de vários fatores.

Na primeira quinzena do mês, sucessivas frentes frias avançaram pelo Estado de São Paulo. A corrente de jato subtropical, em altitude, atuou com mais intensidade e em posição mais ao norte, mantendo os sistemas por mais tempo sobre a região.

Também houve transporte de ar quente e úmido das regiões Norte e Centro-Oeste para o Sudeste. O encontro dessa umidade com as frentes frias favoreceu chuvas mais fortes, frequentes e persistentes.

O El Niño, classificado pelo INMET e pelo Inpe como muito forte, compõe o cenário climático. Há mais de 90% de probabilidade de que ele permaneça nessa condição até novembro. O fenômeno aumenta as chances de chuva acima da média no Sul e em parte do Estado de São Paulo, mas não explica sozinho o volume registrado.

Segundo Ávila, o El Niño de 2026 está se fortalecendo rapidamente e apresenta interação mais intensa entre oceano e atmosfera, o que pode contribuir para a persistência das chuvas. A pesquisadora ressalta, porém, que ainda é necessário analisar o período especificamente para medir a contribuição do fenômeno.

A Climatempo também relaciona o cenário à Oscilação Antártica. De acordo com a meteorologista Josélia Pegorim, esse padrão entrou em fase negativa em agosto, favorecendo a chegada de frentes frias ao centro-sul do Brasil. Foram seis frentes frias em 15 dias.

Chuva deve retornar no fim de semana

A previsão do Inmet indicava períodos de sol e elevação gradual da temperatura em São Paulo na sexta-feira. Para o sábado, a expectativa era de céu encoberto e pancadas de chuva. Uma nova frente fria deveria chegar ao Estado no domingo (20/9), segundo William Minhoto, meteorologista da Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Modelos meteorológicos indicam ainda outras duas frentes frias na semana seguinte. A sequência pode elevar o risco de deslizamentos, alagamentos, enxurradas e aumento do nível de rios e córregos, principalmente no leste do Estado, incluindo o Vale do Ribeira, a Serra do Mar e o litoral.

A Defesa Civil concentra o monitoramento na Região Metropolitana de São Paulo, na Baixada Santista, no Litoral Norte, no Vale do Ribeira e na Serra da Mantiqueira. O solo permanece encharcado, e o risco pode continuar mesmo depois de uma pausa na chuva. Rachaduras, árvores, postes ou muros inclinados e ruídos incomuns em encostas são sinais de atenção.

Durante temporais, a orientação é não atravessar ruas alagadas ou enxurradas e manter distância de rios e córregos. Em caso de risco, a recomendação é deixar o local e acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.